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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 517

Inês e Rodrigo estavam abraçados no meio de todos. A palma da mão dele repousava suavemente nas costas dela, enquanto Inês mantinha as mãos levemente erguidas, sem saber onde apoiá-las.

Todos assistiam à cena, com expressões bastante variadas.

Alice pegou o celular e tirou uma foto dos dois escondida. Com medo de ser pega, a imagem saiu bastante tremida, mas esse desfoque acabou dando uma atmosfera artística à foto, especialmente porque ambos usavam camisas brancas idênticas, diferindo apenas no tamanho.

Um exalava uma aura nobre, enquanto o outro era frio e sereno.

A Sra. Ramalho estalou a língua de leve, e Adrian soltou um murmúrio de dúvida. Ela, no entanto, manteve sua opinião teimosa:

— Eu continuo achando que uma beldade fria como ela devia ficar com alguém que seja como um pequeno raio de sol.

Adrian riu da teimosia dela, balançando a cabeça em desistência:

— Então vamos deixar que o rei do gelo e o raio de sol compitam de igual para igual.

Cláudia e o Sr. Vieira trocaram um olhar, suas expressões um tanto complexas, mas preferiram não comentar. O foco deles estava, afinal, na grande vitória que Inês havia conquistado.

Após terminar de assinar, Abel apressou o passo para ir atrás de Inês. Mas, ao erguer os olhos, deu de cara com a cena dos dois abraçados. O que mais o chocou foi o olhar gélido e provocador de Rodrigo, que o encarava diretamente.

Os pés de Abel pararam no ar, e ele congelou no degrau em que estava, observando-os atônito.

Os dois se separaram.

O olhar de Inês vacilou ligeiramente ao encarar Rodrigo. Ela desviou o rosto, e naquele exato momento, notou Abel subindo as escadas.

Como estavam bloqueando a passagem, Inês disse aos amigos:

— Vamos conversar lá fora.

O grupo acompanhou Inês em direção à saída. Alice e Xica, em especial, agarraram cada uma um dos braços dela, rindo e conversando animadamente.

Rodrigo foi por último. Sendo bastante alto, sua silhueta bloqueava completamente a visão de Inês à frente.

Abel sabia que Inês estava logo ali, mas não conseguia enxergar um único pedaço de sua roupa.

Eram apenas pouco mais de dez degraus, pouco mais de dez passos de distância, mas pareciam tão distantes que estavam totalmente fora do seu alcance.

Quase todos já haviam esvaziado o tribunal. Geraldo encarava Abel com um olhar sombrio.

— Eu já paguei o aluguel da Mansão Serra Sul 9 por um ano inteiro. Pelo menos neste ano não ficaremos sem um teto. Quanto ao resto... eu vou dar um jeito.

Vendo o filho carregar toda aquela responsabilidade nos ombros, Geraldo sentiu uma mistura de raiva e pena. Com um aceno impaciente de mão, bufou:

— Esqueça. Conversamos quando chegarmos em casa.

Os dois saíram do tribunal. O céu ainda estava cinzento e nublado, mas, ao lado dos carros estacionados na frente do prédio, o sorriso no rosto de Inês e de seus amigos brilhava como raios de sol rompendo as nuvens escuras.

Abel ficou hipnotizado ao ver aquilo.

No instante seguinte, o perfil de Inês foi novamente encoberto pela figura alta e esbelta de Rodrigo.

Simultaneamente, Rodrigo virou a cabeça e o fuzilou com um olhar sombrio e carregado de agressividade, como uma fera selvagem protegendo sua presa.

O coração de Abel deu um salto.

Desde o começo, ele nunca teve coragem de sustentar aquele olhar feroz de Rodrigo, encolhendo-se como um vassalo que não ousa olhar diretamente para o seu imperador.

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