A figura patética de Julieta desapareceu pelos corredores do tribunal.
Inês e Abel estavam assinando os papéis.
Abel olhou para ela e murmurou com a voz embargada:
— Me desculpe, Inês.
Inês continuou sem lhe dirigir sequer um olhar. Sob a orientação do Sr. Advogado Duarte, ela leu com atenção os detalhes da partilha de bens, o prazo para o cumprimento das obrigações da ré e a distribuição das custas judiciais. Em seguida, assinou seu nome de forma ágil e precisa.
Abel tirou a caneta-tinteiro do bolso. Ainda era a mesma que Inês havia lhe dado anos atrás. A pena havia quebrado uma vez, mas ele a consertara e continuara usando.
Lendo as transcrições do julgamento e o conteúdo da sentença, a mão que segurava a caneta tremia, e ele hesitava em assinar.
Apenas quando Inês terminou de assinar e fez menção de sair, ele desceu a caneta no papel rapidamente, querendo tentar falar mais algumas palavras com ela.
No entanto, a caneta estragou.
A pena quebrou.
Quebrou completamente.
Assim como o relacionamento dele com Inês... quebrado para sempre.
Uma lágrima escapou pelo canto dos olhos de Abel.
Ele ergueu a cabeça e olhou para Inês.
Inês foi abraçada de surpresa por Alice, que correu em sua direção, pulando de empolgação:
— Aaaaaah! Vencemos, vencemos! Abaixo a amante! Fora com o traste!
A voz estridente ecoou por todo o tribunal.
Inês sorriu e disse:
— Sim, nós vencemos.
Por cima do ombro de Alice, seu olhar encontrou Rodrigo, que estava em pé ali perto.
O homem tinha um sorriso contido nos cantos dos olhos e a observava sem piscar.
Inês se desvencilhou do abraço de Alice e caminhou até o Sr. Vieira e a Dona Cláudia. A senhora a envolveu em um abraço terno, dando tapinhas suaves em suas costas.
— Muito bem, Inês. Estou tão feliz por você. Ruslan, lá no céu, também estaria muito orgulhoso.
— Sr. Vieira — cumprimentou ela.
Os dois também trocaram um abraço singelo.
O Sr. Vieira sorriu e disse:
— A partir de hoje, a Sra. Inês renasce.
Inês sentiu os olhos marejarem diante daquelas palavras e concordou:
— A partir de hoje, eu renasço.
Xica estava debulhada em lágrimas e se agarrou a ela.
— Veterana... buáááá...
— Eu só segui as ordens do Diretor Simões — respondeu Noel.
E logo em seguida, virando-se rapidamente para o chefe, acrescentou:
— Diretor Simões, deixei o melhor para o final.
Seu instinto de sobrevivência estava a todo vapor.
Inês olhou profundamente para Rodrigo e disse:
— Obrigada, Rodrigo.
Todos os outros haviam recebido abraços ou apertos de mão. Mas quando chegou a vez dele, não houve nada. Rodrigo brincou:
— Tratamento diferenciado?
Seu tom era leve, sem nenhum traço de aborrecimento.
Inês se deu conta e estendeu a mão para ele.
Rodrigo deu meio passo à frente, seus sapatos sociais pretos quase encostando nas sapatilhas brancas de Inês.
O olhar do homem deslizou sobre a mão pálida dela. Em vez de apertá-la, ele se inclinou, envolvendo-a em um abraço, e sussurrou em seu ouvido:
— Assim está melhor.
— Inês.
A respiração quente roçou contra o pescoço de Inês, fazendo seu corpo inteiro se arrepiar, paralisada como se tivesse levado um choque.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...