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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 516

A figura patética de Julieta desapareceu pelos corredores do tribunal.

Inês e Abel estavam assinando os papéis.

Abel olhou para ela e murmurou com a voz embargada:

— Me desculpe, Inês.

Inês continuou sem lhe dirigir sequer um olhar. Sob a orientação do Sr. Advogado Duarte, ela leu com atenção os detalhes da partilha de bens, o prazo para o cumprimento das obrigações da ré e a distribuição das custas judiciais. Em seguida, assinou seu nome de forma ágil e precisa.

Abel tirou a caneta-tinteiro do bolso. Ainda era a mesma que Inês havia lhe dado anos atrás. A pena havia quebrado uma vez, mas ele a consertara e continuara usando.

Lendo as transcrições do julgamento e o conteúdo da sentença, a mão que segurava a caneta tremia, e ele hesitava em assinar.

Apenas quando Inês terminou de assinar e fez menção de sair, ele desceu a caneta no papel rapidamente, querendo tentar falar mais algumas palavras com ela.

No entanto, a caneta estragou.

A pena quebrou.

Quebrou completamente.

Assim como o relacionamento dele com Inês... quebrado para sempre.

Uma lágrima escapou pelo canto dos olhos de Abel.

Ele ergueu a cabeça e olhou para Inês.

Inês foi abraçada de surpresa por Alice, que correu em sua direção, pulando de empolgação:

— Aaaaaah! Vencemos, vencemos! Abaixo a amante! Fora com o traste!

A voz estridente ecoou por todo o tribunal.

Inês sorriu e disse:

— Sim, nós vencemos.

Por cima do ombro de Alice, seu olhar encontrou Rodrigo, que estava em pé ali perto.

O homem tinha um sorriso contido nos cantos dos olhos e a observava sem piscar.

Inês se desvencilhou do abraço de Alice e caminhou até o Sr. Vieira e a Dona Cláudia. A senhora a envolveu em um abraço terno, dando tapinhas suaves em suas costas.

— Muito bem, Inês. Estou tão feliz por você. Ruslan, lá no céu, também estaria muito orgulhoso.

— Sr. Vieira — cumprimentou ela.

Os dois também trocaram um abraço singelo.

O Sr. Vieira sorriu e disse:

— A partir de hoje, a Sra. Inês renasce.

Inês sentiu os olhos marejarem diante daquelas palavras e concordou:

— A partir de hoje, eu renasço.

Xica estava debulhada em lágrimas e se agarrou a ela.

— Veterana... buáááá...

— Eu só segui as ordens do Diretor Simões — respondeu Noel.

E logo em seguida, virando-se rapidamente para o chefe, acrescentou:

— Diretor Simões, deixei o melhor para o final.

Seu instinto de sobrevivência estava a todo vapor.

Inês olhou profundamente para Rodrigo e disse:

— Obrigada, Rodrigo.

Todos os outros haviam recebido abraços ou apertos de mão. Mas quando chegou a vez dele, não houve nada. Rodrigo brincou:

— Tratamento diferenciado?

Seu tom era leve, sem nenhum traço de aborrecimento.

Inês se deu conta e estendeu a mão para ele.

Rodrigo deu meio passo à frente, seus sapatos sociais pretos quase encostando nas sapatilhas brancas de Inês.

O olhar do homem deslizou sobre a mão pálida dela. Em vez de apertá-la, ele se inclinou, envolvendo-a em um abraço, e sussurrou em seu ouvido:

— Assim está melhor.

— Inês.

A respiração quente roçou contra o pescoço de Inês, fazendo seu corpo inteiro se arrepiar, paralisada como se tivesse levado um choque.

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