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Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim romance Capítulo 515

O juiz, com uma expressão solene, começou a deliberar com os magistrados.

Durante esse tempo, o olhar de Julieta fuzilava o rosto de Inês repetidas vezes.

Inês ignorou completamente.

Ela manteve as costas retas, com o queixo levemente erguido e um olhar de respeito voltado para o juiz e os magistrados.

Observando o emblema da justiça que reluzia à sua frente, ela sabia que iria vencer.

Na plateia, todos também mantinham semblantes sérios, aguardando tensos a sentença final.

A deliberação terminou, e o juiz bateu o martelo no tribunal.

— Após a análise do caso, ficou comprovado que o réu Abel, durante a vigência de seu casamento, manteve um relacionamento extraconjugal impróprio com a ré Julieta. Ele doou arbitrariamente e sem ônus uma vasta quantia do patrimônio comum do casal para Julieta. Tal ato viola a ordem pública e os bons costumes, configurando disposição de bens sem direito legítimo, sendo legalmente declarado nulo.

— O contrato de investimento apresentado pela ré Julieta não possui embasamento prático de execução, e sua alegação de recebimento de boa-fé carece de fundamentos fáticos e legais, sendo desconsiderada por este tribunal.

— A traição conjugal do réu Abel, aliada à ocultação e ao desvio prolongado de bens do casal, constitui falta grave.

— Sendo assim, profiro a seguinte sentença:

— Primeiro, todas as doações feitas pelo réu Abel a Julieta são declaradas nulas.

— Segundo, a ré Julieta deve restituir integralmente, no prazo de quinze dias após a validade desta sentença, o montante de cento e vinte milhões em transferências, além de imóveis, veículos e joias.

— Terceiro, o réu Abel, sendo o culpado principal e o responsável pelo desvio de bens, perde o direito à partilha do patrimônio comum, o qual passará inteiramente para a autora, Inês.

— Quarto, as custas processuais deste caso deverão ser pagas conjuntamente por ambos os réus.

O martelo bateu, selando o destino de todos.

Julieta desabou na cadeira, pálida como a morte. Originalmente, o valor era de apenas cento e dezoito milhões e não incluía a devolução de imóveis, carros e joias.

Ela planejava vender os carros, a casa e as joias para arrecadar os cento e dezoito milhões. Agora o valor saltara para cento e vinte milhões, sem falar que os bens materiais também deveriam ser devolvidos. Ela teria que entregar tudo, dinheiro e posses!

Sempre que se via em apuros, o instinto de Julieta era procurar seu avô e seus pais para servirem de rede de segurança e resolverem o problema por ela.

No entanto, ao levantar os olhos desesperadamente em direção à plateia, as fileiras continuavam vazias.

Seu avô não estava lá.

Ela olhou para as pessoas na plateia que já haviam se levantado. Rodrigo estava olhando para ela, enquanto Alice acenava efusivamente, com o rosto transbordando de entusiasmo.

Noel estava de cabeça baixa, digitando rapidamente na tela do celular, provavelmente repassando as notícias para Esther e Daniela Tavares no grupo de mensagens.

Dona Cláudia e o Sr. Vieira a observavam com orgulho, enquanto Xica não parava de enxugar as lágrimas.

Dr. Soares levantou o polegar em aprovação para ela. Ao seu lado, a Sra. Ramalho ergueu uma sobrancelha para Inês antes de voltar seu olhar para Abel, soltando apenas um suspiro.

Quase duzentos milhões... essa fortuna devia ser tudo o que Abel ganhara desde que começara a trabalhar. E ele havia jogado tudo em cima de uma única mulher. Ninguém sabia se o elogiava por ser um romântico incorrigível ou se o xingava por ser apenas um tolo cheio da grana.

Com o término do julgamento, ambas as partes precisavam verificar os registros da sessão e a ata de julgamento. Mas Julieta, com o rosto pálido como um fantasma, foi embora sem assinar os documentos.

Não assinar não afetava a validade da sentença, apenas era considerado uma renúncia ao direito de contestação imediata.

Julieta sabia que havia perdido de forma humilhante. Se recorresse, quem saberia o quanto mais seria obrigada a devolver? Talvez não parasse por aí; Inês e seus advogados poderiam muito bem processá-la por danos morais!

No momento, seu avô certamente estava no hospital, e seus pais deviam estar com ele. Ela precisava correr para lá, cumprir seu papel de boa neta e implorar por perdão.

Sem a ajuda do avô, era absolutamente impossível que ela conseguisse pagar aquela quantia!

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