O juiz, com uma expressão solene, começou a deliberar com os magistrados.
Durante esse tempo, o olhar de Julieta fuzilava o rosto de Inês repetidas vezes.
Inês ignorou completamente.
Ela manteve as costas retas, com o queixo levemente erguido e um olhar de respeito voltado para o juiz e os magistrados.
Observando o emblema da justiça que reluzia à sua frente, ela sabia que iria vencer.
Na plateia, todos também mantinham semblantes sérios, aguardando tensos a sentença final.
A deliberação terminou, e o juiz bateu o martelo no tribunal.
— Após a análise do caso, ficou comprovado que o réu Abel, durante a vigência de seu casamento, manteve um relacionamento extraconjugal impróprio com a ré Julieta. Ele doou arbitrariamente e sem ônus uma vasta quantia do patrimônio comum do casal para Julieta. Tal ato viola a ordem pública e os bons costumes, configurando disposição de bens sem direito legítimo, sendo legalmente declarado nulo.
— O contrato de investimento apresentado pela ré Julieta não possui embasamento prático de execução, e sua alegação de recebimento de boa-fé carece de fundamentos fáticos e legais, sendo desconsiderada por este tribunal.
— A traição conjugal do réu Abel, aliada à ocultação e ao desvio prolongado de bens do casal, constitui falta grave.
— Sendo assim, profiro a seguinte sentença:
— Primeiro, todas as doações feitas pelo réu Abel a Julieta são declaradas nulas.
— Segundo, a ré Julieta deve restituir integralmente, no prazo de quinze dias após a validade desta sentença, o montante de cento e vinte milhões em transferências, além de imóveis, veículos e joias.
— Terceiro, o réu Abel, sendo o culpado principal e o responsável pelo desvio de bens, perde o direito à partilha do patrimônio comum, o qual passará inteiramente para a autora, Inês.
— Quarto, as custas processuais deste caso deverão ser pagas conjuntamente por ambos os réus.
O martelo bateu, selando o destino de todos.
Julieta desabou na cadeira, pálida como a morte. Originalmente, o valor era de apenas cento e dezoito milhões e não incluía a devolução de imóveis, carros e joias.
Ela planejava vender os carros, a casa e as joias para arrecadar os cento e dezoito milhões. Agora o valor saltara para cento e vinte milhões, sem falar que os bens materiais também deveriam ser devolvidos. Ela teria que entregar tudo, dinheiro e posses!
Sempre que se via em apuros, o instinto de Julieta era procurar seu avô e seus pais para servirem de rede de segurança e resolverem o problema por ela.
No entanto, ao levantar os olhos desesperadamente em direção à plateia, as fileiras continuavam vazias.
Seu avô não estava lá.
Ela olhou para as pessoas na plateia que já haviam se levantado. Rodrigo estava olhando para ela, enquanto Alice acenava efusivamente, com o rosto transbordando de entusiasmo.
Noel estava de cabeça baixa, digitando rapidamente na tela do celular, provavelmente repassando as notícias para Esther e Daniela Tavares no grupo de mensagens.
Dona Cláudia e o Sr. Vieira a observavam com orgulho, enquanto Xica não parava de enxugar as lágrimas.
Dr. Soares levantou o polegar em aprovação para ela. Ao seu lado, a Sra. Ramalho ergueu uma sobrancelha para Inês antes de voltar seu olhar para Abel, soltando apenas um suspiro.
Quase duzentos milhões... essa fortuna devia ser tudo o que Abel ganhara desde que começara a trabalhar. E ele havia jogado tudo em cima de uma única mulher. Ninguém sabia se o elogiava por ser um romântico incorrigível ou se o xingava por ser apenas um tolo cheio da grana.
Com o término do julgamento, ambas as partes precisavam verificar os registros da sessão e a ata de julgamento. Mas Julieta, com o rosto pálido como um fantasma, foi embora sem assinar os documentos.
Não assinar não afetava a validade da sentença, apenas era considerado uma renúncia ao direito de contestação imediata.
Julieta sabia que havia perdido de forma humilhante. Se recorresse, quem saberia o quanto mais seria obrigada a devolver? Talvez não parasse por aí; Inês e seus advogados poderiam muito bem processá-la por danos morais!
No momento, seu avô certamente estava no hospital, e seus pais deviam estar com ele. Ela precisava correr para lá, cumprir seu papel de boa neta e implorar por perdão.
Sem a ajuda do avô, era absolutamente impossível que ela conseguisse pagar aquela quantia!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...