— Como você sabe que estou aqui? — Julieta Lima perguntou, pálida de susto, saindo imediatamente e fechando a porta de casa atrás de si, com medo de que seus pais ouvissem.
Pouco tempo depois de voltar da Família Ximenes, ela não suportara a pressão e confessara aos pais que teria de pagar uma dívida de mais de cem milhões.
Naquela noite, seu pai lhe dera um tapa sonoro no rosto, enquanto sua mãe, sem oferecer consolo, apenas deixara as lágrimas caírem incessantemente.
Ela não pregara os olhos a noite toda.
Os pais de Julieta também passaram a noite em claro.
Na manhã seguinte, o casal reuniu seus cartões bancários, as escrituras dos imóveis e todos os objetos de valor da casa, incluindo o enxoval de casamento da mãe de Julieta, as joias que o pai lhe dera de presente e o dote que ambos haviam economizado para a filha ao longo dos anos.
Mesmo se vendessem os dois apartamentos bem localizados, o dinheiro arrecadado mal chegaria a dez milhões, um valor que não cobria sequer uma fração do que Julieta precisava devolver.
Os pais de Julieta estavam tão angustiados que não conseguiam comer nem dormir direito. Sendo professores universitários, pedir dinheiro emprestado, ainda mais por um motivo daqueles, era o equivalente a destruir todo o orgulho que possuíam.
Contudo, não podiam abandonar a filha à própria sorte e pensavam em resolver a situação o mais rápido possível, antes que o caso fosse parar nos tribunais.
Julieta ouvira os pais ligando para colegas de trabalho pedindo empréstimos, por isso, ultimamente, vinha se comportando de maneira extremamente dócil. Excluindo a questão do bebê, é claro, já que seus pais não tinham cabeça para pensar na criança que ela carregava no ventre.
Por essa razão, Julieta teve uma reação tão extrema ao ver Mariana Rocha.
Tinha pavor de que Mariana, com sua língua venenosa, dissesse algo que pudesse perturbar ainda mais seus pais.
Ela agarrou a mão de Mariana, pronta para arrastá-la escada abaixo.
Mariana desvencilhou-se com um puxão:
— O que você está fazendo? Está com medo de que seus pais descubram que eu vim cobrar o dinheiro? Se tinha tanto medo, por que foi tão descarada a ponto de ser amante e gastar o dinheiro do marido dos outros?!
A voz de Mariana era alta demais, e o isolamento acústico daquele prédio antigo deixava a desejar. Como seus pais tinham um bom relacionamento com os vizinhos, se alguém ouvisse, a reputação dela e de sua família seria arruinada!
Julieta tapou a boca de Mariana com a mão, advertindo-a ferozmente:
— Mariana, vê se te enxerga e fica quieta.
Mariana assentiu com a cabeça.
Julieta, ainda desconfiada, soltou-a lentamente.
— O dinheiro do meu irmão. — respondeu Mariana.
— Do ponto de vista legal e moral, apenas Inês Jardim tem o direito de exigir o dinheiro do seu irmão. Já estamos reunindo a quantia. Se você o quer, vá procurar Inês. Fazer esse escândalo na nossa casa é perturbação da paz, e nós podemos muito bem chamar a polícia. — rebateu a mãe de Julieta.
Mariana não se intimidou. O máximo que aconteceria por perturbação seria levar uma advertência.
— Pode chamar! Se você chamar, eu pego um megafone e grito para o prédio inteiro ouvir, para que todos saibam que a filha de vocês foi amante de alguém, gastou fortunas do dinheiro do marido alheio, e agora a esposa legítima veio cobrar a dívida! Quero ver o que todos vão pensar de vocês!
A mãe de Julieta enrijeceu o pescoço. Ela nunca havia sido submetida a tamanho desaforo.
O pai de Julieta apressou-se em abraçar os ombros da esposa, com o rosto igualmente lívido de raiva.
Julieta puxou o braço de Mariana:
— Você não ouviu o que disseram? Se tivermos que devolver esse dinheiro, será para Inês Jardim, não tem nada a ver com você. Se quer dinheiro, vá cobrar da Inês!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...