Diante das acusações implacáveis de sua mãe, Abel não conseguiu refutar uma única palavra. Como se voltasse à infância, apenas abaixou a cabeça e assumiu a culpa.
— Pai, mãe, eu errei, me perdoem.
— Só aquele seu comentário sobre "ser apenas uma questão de quem vai cuidar de nós na velhice" já foi um desrespeito! — Branca saiu furiosa, disposta a deixar aquele lugar para quem quisesse ficar.
— Vou ver como sua mãe está. Quanto ao trabalho, se já se demitiu, paciência. O importante é ter saúde, pois o resto a gente reconstrói. — Geraldo olhou para o filho, sem coragem de continuar a repreendê-lo, e apenas deu um tapinha em seu ombro.
Os pais foram embora.
— Irmão, você acha que, se fôssemos implorar à Inês, ela dividiria com a gente uma parte do dinheiro que recuperou da Julieta? — Mariana, que sempre tentava passar despercebida durante as brigas de família, quebrou o silêncio de repente.
Eram mais de cem milhões. Mesmo se recebessem apenas dez por cento, ainda seriam dez milhões.
— Não sei. — Abel respondeu de forma evasiva, sentindo a cabeça latejar e um esgotamento profundo no corpo e na alma.
— Então eu vou tentar! — Mariana decidiu.
Trabalhar? Ela jamais bateria ponto na vida!
Mariana correu até a Mansão Nove. De longe, avistou dois cachorros e, aproveitando o trajeto, pegou duas pedras do chão. Aproximou-se com cautela, gritando que precisava ver Inês, repetindo sem parar que ela era sua cunhada.
Desde que descobrira a verdadeira face de Julieta, ela sabia muito bem quem realmente a tratava com carinho. Inês seria capaz de comprar um caldo de dois mil reais para ela, enquanto Julieta apenas fazia cortesia com o chapéu alheio, gastando o dinheiro de seu irmão.
Bastou gritar duas vezes para que os cães avançassem em sua direção. Ela tentou atirar as pedras, mas isso só fez com que os animais a perseguissem com ainda mais fúria.
Ela levou dois tombos seguidos, esfolando os joelhos até ficarem roxos!
Sem coragem de se aproximar da Mansão Nove novamente, Mariana voltou para casa e não parou de chorar. Estava completamente em pânico, sem saber o que deveria fazer a seguir.
Seu irmão biológico já não tinha condições de sustentá-la. Seus pais recebiam aposentadoria, então as vidas deles estavam garantidas.
Só ela não tinha a menor capacidade de se sustentar. Quanto a morar no exterior? Estava fora de cogitação.
Essas palavras deixaram o Sr. Ximenes tão sem graça que ele mal sabia onde enfiar a cara.
— Não adianta você vir armar barraco na nossa casa. Não é como se a Julieta fosse sem teto, ela está escondida na própria casa. Se você não sabe o endereço, eu te passo. — A mulher saiu e encarou Mariana com um ar de superioridade.
Mariana conseguiu o endereço da casa de Julieta.
Tratava-se de um condomínio antigo, sem muita segurança.
Porém, o edifício antigo localizava-se numa região nobre, muito valorizada pela proximidade com colégios de elite. Na época em que a especulação imobiliária fervia na região, os preços chegaram a níveis absurdos; ter apenas dinheiro não bastava para comprar um imóvel ali.
Os pais de Julieta possuíam dois apartamentos no local. Moravam em um e alugavam o outro, e o valor desse aluguel também ajudara a custear as despesas de Julieta durante seus estudos no exterior.
Seguindo o número da porta fornecido pela tia de Julieta, Mariana chegou ao apartamento. Sem hesitar, ergueu a mão e começou a esmurrar a porta.
— Quem é? — Julieta abriu a porta, apenas para dar de cara com Mariana, aquela assombração de cobradora!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Das Cinzas à Glória: A Ascensão da Sra. Jardim
Estou amando o livro, só gostaria de maiores atualizações....
Cade a atualização dos ultimos 10 capitulos?????...