Passo pelo corredor do quarto de Kate a caminho do banheiro antes de ir embora, tem uma porta vermelha, última do corredor, que chama minha atenção.
— Não era assim antes...- digo a mim mesma. - Franzo o cenho, olhando a maçaneta dourada contratando com o vermelho. Muito tentador, volto três passos, tento abrir a maçaneta e praguejo ao falhar, vendo que está trancada. Óbvio que estaria. Pego um grampo do meu cabelo, colocando no trinco e forçando de diversas maneiras até abrir. Franzo os lábios em surpresa e admiração, achei que isso só funcionava em filmes.
Entro e encosto a porta, tem alguns varais um pouco acima da minha cabeça, com fotos polaroids penduradas sobre a luz de uma lâmpada vermelha. Estico a mão para pegar uma delas, é um animal peludo, a especie é irreconhecível pelo estado do cadáver, são só ossos, sangue e órgãos. Faço cara de nojo, todas fotos são desse tipo, com animais diferentes e alguma delas até de pessoas.
Doentio. E quanto mais eu olho...pior fica.
— O que faz aqui? - a voz dele chega em meu ouvido, em minha pele, em minha alma, estremecendo tudo. Não sou de sentir medo, mas é difícil nessa situação e ser pega no flagra por uma pessoa que usa esse tom tão mortal.
Ele com certeza não queria que seu segredinho sujo fosse descoberto.
Viro de frente para ele lentamente, girando na ponta da minha bota para encarar a face mais mortal que já vi na vida. Escondendo uma das fotos que peguei atrás de mim, eu movo a cabeça, fazendo uma das mechas rosa ir para trás com o balanço.
— Sabia que é feio bisbilhotar? - Anda até mim lentamente porém tudo parece muito rápido, é um cômodo pequeno, o espaço que nos distanciava era pouco e agora é nulo.
Em um movimento brusco ele arranca a foto de mim.
— Eu estava só....- mordo a bochecha, olhando ao redor sem mover a cabeça. — explorando o lugar. - sorrio forçado.
— A curiosidade matou o gato.
— E você gosta muito de matar eles. - olhando para cima, vendo as fotos de novo, não consigo evitar de descer o olhar para ele com reprovação. Não sou moralista mas tenho limites.
— Quem não iria gostar?
— Não de animais, louco. - Melhor palavra para definir o irmão da Kate, louco.
Não gostando muito do meu olhar, me joga na parede mais próxima, chocando minhas costas contra o concreto e me fazendo fechar os olhos pela dor. Seu corpo grande colocado ao meu, bloqueia minha passagem e qualquer possibilidade de fuga. Se as pernas dele não estivessem fechadas, eu daria uma bela joelhada.
— Cuidado, Lana. Os loucos podem matar. - Tem um canivete em baixo do meu queixo, sobre a pele quente do próxima ao pescoço.
— Meu irmão não ia gostar muito se você me matasse, ele é bem sanguinário, você sabe. - Abaixo o olhar, conseguindo ver a base do canivete em sua mão. Meu pescoço está erguido, tentando se esquivar do perigo.
— E onde está seu irmão agora? - Pergunta, passando a lâmina de leve no meu rosto, ele faz uma trilha suave pela minha pele do pescoço até chegar ao meu decote. Isso está ficando bem excitante...
— Boa pergunta. - falo baixo. — Você não vai me matar, não é? Eu não fiz nada de errado. - ergo as mãos para o alto em rendição.
— Acha que não fez? - Deixa claro que eu dei a resposta errada, descendo a lâmina com destreza pelo centro dos meios seios até chegar no decote profundo da camiseta, cortando um pouco mas meu sutiã é rasgado no meio.
— Essa roupa é nova, não corta. - Fecho os olhos, não posso ficar molhada, é nisso que eu que me concentrar.
— Ah, o que é isso? - Avalia meu rosto, seu olhar é quase demoníaco e eu vejo desejo nele. — Uma pitada de medo no rosto da menina corajosa. - Seu rosto está a milímetros do meu, nossas respirações quentes se misturam no ar.
— Eu não tenho medo.
— Menina corajosa. - ri. Pela primeira vez vejo ele exibir um sorriso, é lindo e sexy. O meu medo excita ele, e isso me excita.
— Tira a faca de mim se não eu cravo ela em você. - falo calma. Não sei como faria isso.
— Está irritada? Normal. A maioria das pessoas ficam nervosas quando tem objetos cortantes em sua pele.
Concluímos que não sou como as pessoas normais porque eu fui excitada.
— É normal ficaram nervosos quando seus medos estão prestes a serem expostos?
— Nervosismo é para quem tem medo, eu não tenho medo de nada. - diz olhando as fotos acima de nós.
— Que ótimo, eu vou ficar com isso. - pego outra foto. - E isso. - pego mais uma. — A Kate vai amar saber que o irmão dela é fotógrafo. - sorrio cínica.
Não vou contar para ela de verdade, mas é legal fazer ele achar que sim. Se ele está escondendo, é porque é um problema se souberem.
Rapidamente ele me puxa de volta, castigando meu corpo com outro baque. O lado da minha bochecha está colado na madeira fria da porta, enquanto eu sinto seu corpo contra minhas costas. Perto demais.
— Muito cuidado, bobinha. Ser irmã de quem é, não te livra de castigos severos. - A voz rouca e grave está perto do meu ouvido, sinto até seu hálito fresco contra meu ouvido, me causando arrepio da nuca até o fim da costas.
— E o que você faria?
— Não queira saber do que eu sou capaz, vai se assustar. - ele não sabe que eu posso gostar disso. — Eu fico com isso. - ele tira o polaroid da minha mão. — E você sai. - ele me empurra para fora e fecha a porta, me deixando do lado de fora, desorientada pelo que acabou de acontecer.
[...]
Fecho o livro, o deixando de lado, qualquer coisa que eu leia me lembra dele. Meu gosto para literatura não me favorece muito, terror com resquícios de romance, às vezes mais do que resquícios. Gosto do medo, é excitante, o medo da morte e misturado com a paixão só deixa tudo mais interessante.
Me pergunto porque Alexander Petrov é tão fascinado pela morte, aquele nível é fora do comum até para um mafioso. Me condeno por gostar da Áurea sádica dele, porque isso pode refletir negativamente em mim futuramente, ainda sim, não vou desistir dele, não até conseguir o que eu quero. Quero pelo menos uma vez, ter seu corpo por completo sem que ele se afaste. Quero tê-lo dentro de mim, me castigando com prazer e dor até que eu chegue ao ápice. Depois disso, ele que siga a vida e faça o que quiser.
Esse é meu desejo desde que senti seu corpo em minhas costas com meu rosto prensado na porta. Adorei o arrepio, o frio na espinha, o calor no meio das pernas que logo se tornou umidade. Por outro lado, a morte vem como consequência na missão de tê-lo , porque uma vez que eu deixar de ser intocada, meu futuro marido, seja lá quem for, vai pedir minha cabeça em uma bandeja de prata e vai conseguir. Isso não importa agora, vou viver o momento e correr atrás de satisfazer o meu desejo, porque o amanhã talvez não chegue e não é bom morrer com pendências e desejos não realizados.
A aproximação, o ênfase na palavra e a energia palpável foram a prova que eu precisava para continuar lutando pelo que eu quero.
[....]
Olho no espelho avaliativamente a a roupa que escolhi para jantar. A minha mãe com certeza não perderia e oportunidade de fazer um jantar em comemoração aos novos chefes, infelizmente Kelly não poderá vir com Gregory, o que significa que o plano da minha mãe é passar o jantar todo sugestivamente empurrando empurrando Katherine para Stefan, vai ser muito menos implícito sem Kelly para mediar a situação.
- O que achou, Naguine? - olho para ela com um sorriso no rosto, a mesma só faz um chiado, colocando a língua para fora. Deve ser um sim.
- Lana, já está pronta? - Minha mãe abre a porta e entra, segurando a maçaneta só com o rosto para dentro do quarto e sua expressão morre ao ver minha roupa, soltando um suspiro, ela entra de vez. - Não acha que deve vestir algo mais... apropriado?
- O que tem de errado? Acha que está muito curto?
- Não, o comprimento não é o problema, meu amor. Acho que deve usar algo mais sofisticado para a ocasião, você já tem quase dezoito anos. Está se tornando uma mulher adulta e deve adaptar seu estilo a isso, não tem que mudar a cartela de cores, só o corte das peças...os complementos. - Desce o olhar do meu rosto até mais pés com coturnos de salto. - Você se veste assim há anos, não acha que deve mudar?
- Não. - falo direta. Eu gosto do meu estilo, das botas, das correntes, tons escuros e das mechas no cabelo, da minha maquiagem e não vou mudar isso.
- Tudo bem, mas por hoje, tenho algo para você. - Ela ergue o dedo, fazendo sinal para que eu espere um momento e sai do quarto. Meu olhar vai para Naguine que rasteja para baixo da cama e não demora para que minha mãe volte com um cabide na mão, onde um vestido vermelho de seda está pendurado.
- Só hoje, vista isso.
- Mãe.....
- Por favor. - Pede carinhosamente, me fazendo suspirar. É um vestido bonito, só não é nada eu.
- Usei isso quando era meus nova, tinha vinte e sete ou vinte oito anos. Me lembro que seu pai adorou, mandei fazer uns ajustes nele pouco tempo atrás, esperando pata te dar na oportunidade perfeita, e com certeza é está.
Me entrega o cabide e eu sorrio sem graça. Um dia não fará mal, já que ela mandou arrumar justamente para mim. Dentro do closet, enquanto me visto, me pergunto porque ela acha que essa é a oportunidade perfeita.
Pode ser por ser o dia de vitória do meu irmão, então por que ela comentou que meu pai adorou e deu aquele sorriso no final? Não qualquer sorriso, o sorriso que ela usa ao final de persuadir alguém a seguir um desejo seu com segundas intenções.
- Pronto. - falo saindo do closet.
- Você está perfeita, filha. - Me guia até o espelho, me fazendo olhar o tecido que desenha perfeitamente minhas curvas. Não posso negar que de fato, ficou muito bonito em mim.
- Agora troque de maquiagem, vou descer para recepcionar Kate e Alexander. - deixa um beijo em minha cabeça antes de sair alegre.
[...]

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