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Dark possession romance Capítulo 5

Me sinto jogada no vácuo do universo onde não vejo e não escuto nada ao meu redor com precisão. Só consigo pensar nas inúmeras teorias do que ele quis dizer com aquilo de que éramos mais parecidos com Kate e Stefan do que eu imaginava.

Me lembro da presença de Yuri quando sua voz ressoa na minha cabeça como uma voz de fundo, e me vejo arrancada da bolha. Viro o rosto de lado, encontrando ele aparentemente frustrado com minha falta de atenção para com ele. Me ajeito na cama, colocando uma almofada sobre o colo.

— O que?

— O que você tem? Está muito distraída hoje.

Balanço a cabeça, colocando a mão na raiz do cabelo.

— Não...não sei, tô pensando no que aconteceu ontem com Alexander. Ele vai ficar uns dias aqui...

Tinha esquecido de contar esse fato para Yuri, que agora quero transar com o primo dele enquanto minha mãe dá início ao plano de nos casar.

Só que não vou contar a parte do plano da minha mãe a ele, já que parecia orgulhoso e com o ego elevado por minha mãe um dia ter ponderado a ideia de me casar com Yuri, que agora vendo a perspectiva ampla que envolve Alexander, parece pouco demais. E eu, não quero casar com nenhum dos dois.

— O que aconteceu ontem com meu primo?

— Estávamos conversando na sala, e madrugada. Falamos sobre meu irmão e Kate, e ele disse que talvez eu seja mais parecida com ela do que imagino, e ele com Stefan.

— Com certeza ele é parecido com Stefan. - Seu tom deixa óbvio o que ele pensa de Alexander, e também do meu irmão, e disso, não posso reclamar. — Você não deveria estar falando com meu primo, Lana.

— E por que não? - Questiono sem dar crédito.

— Ele não é confiável, não é do nosso mundo.

— O que quer dizer com isso?

— Você não vê como ele é diferente de nós? Como se acha superior?

— Isso não importa agora, o jeito que ele é não interfere em nada, todos os homens são assim por aqui. E quando eu conseguir o que quero, vai tudo voltar ao normal. Ele não falando comigo, e eu não falando com ele.

— Não se envolva com meu primo, Lana...ele não é homem que deixa pra lá. Se ele implicar com você, já era. É assim comigo.

— Achei que vocês não se falavam direito, você nunca falou nada dele.

Isso que eu acabei de reparar, nunca chegamos a falar da relação dele com Alexander. São primos, mas nunca vi falarem um do outro ou ter uma conversa entre si. Sempre foi tão distante dele quanto, a diferença de idade entre nós também é uma justificativa.

— Porque eu ignoro Alexander como ele me ignora. Ele me odeia.

— Por que ele te odeia?

— Porque ele é maluco, um cara ciumento que gosta de ter todas as atenções para ele. E teria, se fosse o único menino da família, eu nasci e por isso ele me odeia.

— Que idiota. - balanço a cabeça em negativo, pensando. — Então ele estava mesmo falando sério quando disse que era mais parecido com Stefan do que eu imaginava. Não quero nem pensar como teriam sido as coisas na minha vida se eu tivesse nascido homem. Só que sei lá, é burrice ele te odiar por isso, você não é uma ameaça pra ele.

— Obrigado pela parte que me toca. - lança um olhar irônico junto a um tom ofendido.

Dou risada, empurrando seu ombro para o lado oposto, amigavelmente.

— Não foi o que eu quis dizer, idiota. Ele só é bem mais velho e estar em um cargo bem alto, não tem porque se sentir ameaçado já que você não quer nada que seja dele.

— É...- Perde o olhar, ficando compenetrado em seus pensamentos assim como eu estava. — O que eu estou dizendo, cabeça oca, é para ser esperta e não cair na conversa dele, não ir para cama com ele. Você só conseguiria sua morte. Além do mais, você não faz o tipo dele.

Tipo dele?

— Posso fazer o tipo de qualquer um, e valeu pelo conselho mas não vou seguir.

— Você já está encantada, não é? Deixa de ser burra, Lana. Alexander gosta de mulheres sofisticadas que se vestem elegantemente, que usam saltos e tem corpos esculturais.

— É melhor você fechar a droga da sua boca.

Não vejo nada de errado com meu corpo, entretanto, não vou negar que isso atingiu um pouco da minha autoestima agora. Sou magra, tenho a bunda de um tamanho bom, seios medianos e uma cintura fina, gosto da minha aparência e nunca me senti mal por comparar minha aparência a uma mulher que não fosse minha própria mãe. Ela sempre esperou que eu fosse mais como ela em todos os sentidos, mas ela nunca fez isso ferindo minha autoestima, acho que minha autoestima nunca foi ferida nem por Stefan, que sempre criticou meu estilo só que nada comparado como agora. Yuri acabou de dizer implicitamente ou nem tanto, que não sou nada comparado ao que Alexander pode ter. Não acho que seja verdade...mesmo que tenha doa ouvir isso do meu melhor amigo.

— Se eu quiser...e eu quero, vou ficar com ele mesmo assim. Está na hora dele experimentar uma coisa nova.

— Não seja idiota, se ele não te rejeitar, vai ficar com você e te descartar, te deixar para morrer. E na melhor das hipóteses, se não te der um fora depois, vai querer que você seja perfeitinha. Quer ter a vida da Kate?

Reviro os olhos, Kate não é só perfeitinha porque exigem isso dela, é o jeito dela de ser e não tem nada de errado com isso.

— Você subestima a minha capacidade de fazer isso com ele primeiro, vai ser só uma transa e depois acabou.

— Até você acabar se rastejando nós pés dele. - Ele levanta com raiva, caminhando até a porta. — Você nunca vai passar a perna em um homem como Alexander. - É tudo que ele diz antes de sair batendo a porta.

Imbecil! Praguejo quando lanço travesseiros em direção da porta fechada.

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Antes que ele feche a porta, coloco o pé entre a porta e o batente, empurrando a mesma antes de entrar sem pedir permissão.

— E aí? - falo olhando o quarto de hóspedes com a mão na cintura. Essa casa é tão grande que nunca entrei nesse quarto, e nem na maioria dos quartos de hóspedes. E como todos, esse segue o padrão clássico, tudo tão branco, clássico, tão pitoresco. Tudo é um grande exagero, acima de tudo, o tamanho imensurável dessa casa.

— O que você quer?

Volto a atenção a ele depois de fazer um movimento com os ombros.

— Conversar, minha mãe quer que eu trate bem as visitas.

— Okay, eu posso querer ficar com ele, acho ele bonito e estou meio intrigada com umas coisas mas não quero me casar. Tem que parar de uma vez por todas de tentar controlar a vida de todo mundo ao seu redor e fazer com que sigam suas vontades.

— Você é muito inocente ainda. Pode discordar de mim em quase tudo agora, seus pensamentos ainda são esperançosos. Ainda sonha com liberdade explicita e justiça, mas um dia vai cair da cama e acordar deste sonho que vive em sua cabeça. - Fala calma e solicita. — E nesse dia vai ver que tenho razão em tudo que digo e faço por você.

— Razão? - cuspo as palavras com raiva. — Não se dá conta de que piorou neste lugar por sua culpa, mãe? Esqueceu o que fez com meu pai? Este lugar sempre foi uma prisão para as mulheres, e você roubou de nós a pouca liberdade que tínhamos e tudo isso por gostar de enganar e manipular tudo e todos só por maldade. Não tínhamos muito mas o suficiente para não morrer por qualquer coisa.

— Você está enganada, Lana.

— Todo mundo sempre está, menos você. - ironizo, abrindo os braços e dando um sorriso para reforçar.

— Acha que essas mudanças são tão significativas, Lana? A única coisa que mudou foi ser obrigada a casar virgem. Até porque, sobre pedir os direitos de uma mulher? Não mudou nada, se um homem quisesse hoje e antes ele te pegaria para si de qualquer maneira. Foi assim comigo e com muitas. Também já podiam fazer o que queriam, desde te bater até violar. Não seja tola, Lana. Porque você é minha filha e não foi para isso que eu te criei. O pouco de conquista que as mulheres tiveram não foi eu quem destruiu, foi apenas a vontade dos homens desta máfia, e principalmente a do seu pai. — Da ênfase. — De colocar as mulheres de volta no lugar onde acham que elas pertencem, como se realmente algum dia tivessem saído de lá. Eu errei muito com seu pai, mas ele nunca foi um pobre inocente, Lana. Não de deixe levar pela narrativa.

— Não diminua as pequena conquistas, até hoje poderíamos ter conseguido mais. E você se arrependeu tanto que não mudou nada. Você ainda controla a ele, controla a mim e a Stefan, a kelly, a Kate...você faz todo mundo ser uma marionete no seu teatro e mesmo que toda vez eu me recuse a te obedecer, acabo fazendo mesmo sem perceber porque você é a melhor manipuladora do mundo. Você nunca deixou de ser capaz de conseguir tudo que quer e agora que sua vida já está feita, o seu querer são para os seus filhos. Você está roubando nossa liberdade.

Ela dá um passo a frente e penso em recuar, mas não o faço.

— Pequenas conquista, não....migalhas. Pense bem no que vou te dizer, Lana. Entendo que queria igualdade, que deseje poder fazer tudo que uma mulher que vive uma vida normal fora da máfia pode...mas não é assim que funciona.

Não pode acabar com o machismo centenário sozinha com revolta. Só está colocando sua vida em risco ou se arrastando para a própria ruína. Jogue o jogo deles, deixe achar que eles tem o poder enquanto é você quem joga os dados. Tem que começar a ser mais fria e fazer o que é melhor para você. Eu sou sua mãe, faço tudo que faço porque quero o melhor para você e para o seu irmão. Ele é homem, deu sorte, porém, você tem que fazer sua própria sorte. Alexander é o melhor para você, ele pode te proteger.

Proteger.

Flashback on

— talvez sua definição de proteção seja diferente da minha.

Flashback off

O que a máfia faz com as pessoas? Todos eles passaram a dividir o mesmo conceito distorcido de proteção.

— Ele é um risco pra mim, mamãe! Assim como Stefan é para Kate e você não aceita. Não pode me proteger se ele é o perigo.

— E mesmo assim você o quer. - Seu argumento é como uma flecha em meu peito e por um segundo me vejo sem reação. Nunca vi um silêncio como esse.

— Não como marido. - disparo, lutando para que minha voz não vacile.

— Mas é exatamente assim que você precisa dele. E sim, ele pode te proteger porque aqui quem tem poder são os homens, ele tem o segundo melhor cargo e coragem o suficiente para destruir qualquer um que te faça mal. Quando eu cheguei na Rússia e me dei conta de que não era mais Hanna Salvatore aos olhos dos outros e sim Hanna Devan, a mulher do capô, eu entendi que, para ter tudo que eu queria e não podia alcançar, ganhar através do seu pai. Você tem que entender isso, por trás de um grande homem, há sempre uma grande mulher.

— Mas eu não aceito ficar atrás de nenhum homem.

— Comece a aprender. Depois conversamos, vou organizar o jantar. - ela diz antes de me dar uma última olhada de aviso e sair.

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