A festa está relativamente cheia, também tem alguns alunos da nossa antiga escola aqui. Graças a Deus o ano letivo acabou ano passado e finalmente estou livre do inferno que era aguentar todos eles. Não que eles mexessem comigo de maneira direta, não tinham essa coragem porque eu era filha do capô, mas sei que falavam mal de mim pelas costas. No fim, eu sempre ficava sabendo, eram fofocas sobre minha mãe, comparações com ela, e sobre minha aparência, o meu estilo ou que eu era metida e soberba por ser filha do capô. E nada disso é verdade.
Quando kira me vê, vem correndo na minha direção com um copo descartável vermelho em mãos.
— Está atrasada. Vira essa para começar a noite. - Me entrega o copo e quando o pego ela segura o fundo dele, despejando o líquido na minha garganta. A bebida é gelada e desce queimando pela minha garganta.
Quase engasgo com a quantidade, tusso algumas vezes e limpo os lábios com as costas da mão, fazendo careta.
— Eca...
— Relaxa que é só o começo.
— O Yuri já chegou?
— Ainda não, achei que ele viria com você. Vamos esperar ele para começar o jogo, e depois vamos curtir de verdade.
Com isso ela quer dizer que todos vão estar totalmente bêbados, alguns sob efeitos de droga e outros envolvidos com quem beijaram no jogo da garrafa. A tensão sexual nessas festas é terrivelmente densa, porque as meninas querem ir para cama mas o medo da morte é maior. Algumas mais corajosas acabam cedendo ao desejo, e eu sou uma delas. Só que não vou fazer nada com alguém que não valha a pena, como algumas acabam fazendo. Já escolhi o cara, então não tem nada de grandioso aqui para mim, vou ficar só nos beijos.
Sempre tomo o cuidado de não ficar bêbada o suficiente para perder os sentidos, porque se alguém fizer algo comigo ( mesmo que seja difícil pelo medo da minha família) eu serei a culpada por isso. Não vão se importar se for um estupro contra incapaz.
Também fico de olho em outras meninas, em não deixar nenhuma completamente bêbada e vulnerável sozinha, porque ela corre o risco de ser estuprada e condenada por isso nessa merda de máfia machista. Vão sempre vir comentários de: Por que estava bêbada então? Se estava vestindo aquilo é porque queria, se não quisesse que isso acontecesse não estaria em uma festa.
Todas essas coisas cruéis que para piorar não acontecem só na máfia, é a realidade de todas as mulheres em todos os lugares do mundo. Mais um motivo pelo qual odeio seguir os pensamentos das mulheres daqui, que se resignam. Por isso eu quero agir, ser o tipo que grita, que luta, não o que se adapta. Se for pra morrer, que seja lutando.
Sendo como a minha mãe eu só resolveria os meus problemas, os meus impedimentos, conseguiria a minha "liberdade". Mas e as outras?
— Lana?! LANA! - Kira grita, me trazendo para a realidade. — Você está muito aérea. Ficou bêbada só com esse copo? - Aponta para o mesmo, rindo com deboche e indignação.
Embora seja minha "amiga", porque não parece sempre...consegue ser bem irritante e me tirar do sério as vezes. Reviro os olhos.
— Não, só estava pensando.
[...]
Todos estavam conversando entre si na sala, segurando copos de plástico, os virando constantemente, esvaziando latinhas. Fico encostada no mini bar da sala.
Já faz umas duas horas que a festa começou e Yuri não chegou e já dei um fora em uns três garotos diferentes. Hoje meu humor não está tão sociável quanto imaginei e já me arrependo de ter saído de casa.
— Olha só, ele chegou. - Kira aponta, chamando a atenção de todos para Yuri.
— Oi, por que demorou tanto? Você disse que ia chegar primeiro. - Pergunto ao me aproximar.
— Tive uma briga com meu pai. - Ele pega o shot de tequila da minha mão, o tomando de uma só vez.
— Por que?
— Eu não sei, parei de ouvir o que ele diz com seis anos. - Revira os olhos. — Kira, qual o jogo?
— Estávamos esperando você, vai ser jogo da garrafa de novo. Vamos lá.
Acompanhamos ela para o meio da sala, sentando na roda onde todos estão, já prontos para o jogo.
— Vai ter consequência se não beijar.
- Ela senta ao meu lado, e Yuri do outro lado do círculo.
— Vai ter que cumprir algum desafio se não beijar. Ainda não sei qual, tem alguma sugestão? - Olha para todos em volta que dão de ombros.
Que gente chata.
— Descumprir alguma das leis.
Segurando a garrafa vazia, ela dá um sorriso em satisfação ao olhar ao redor vendo que todos aprovaram a ideia.
— Quem não beijar vai ter que deixar um segredo sujo da máfia aqui.
— Ou?...- Arqueio a sobrancelha.
Isso é muita idiotice.
— Não seja chata, Lana. Essa é a consequência, pare de querer estar imune a tudo só porque é uma Devan. Isso é irritante pra caralho.
— Não estou tentado fazer isso.
— Então jogue do mesmo jeito que nós mortais. - debocha.
— Deixa de ser invejosa, Kira. Lana não tem culpa que você não é uma das principais famílias. - Yuri sai em minha defesa.
— Meu pai está no conselho. - rebate na defensiva.
— Na parte baixa dele. - Completo.
— Só tô dizendo que aqui é para sermos todos iguais, sem privilégios. É pra ser divertido, vamos jogar. - Kira diz e eu suspiro, concordando.
— Eu começo. - Ela decreta. Coloca a garrafa vazia no centro da rosa, a girando. Ela sorri quando para na direção de um menino até que gato, tem os cabelos loiros e olhos castanhos. Me esqueci o nome dele mas era da minha sala no último ano.
Ela se levanta, indo até ele e trocando um beijo. Ao fim, entrega a garrafa para que ele gire e o ciclo se segue.
Agradeço na maioria das vezes por a garrafa não ter parado em mim e algumas poucas fico frustada. Tem três ou quatro aqui que me atraem.
— Sua vez. - Ela diz quando chega a vez de Yuri.
Ele gira a garrafa, que roda diversas vezes até que a ponta começa a alternar entre mim e a menina do meu outro lado.
— Melhor tentar de novo. - Digo quando para definitivamente em mim.
Kira nega com a cabeça.
— Fala sério, Lana. A gente já falou disso, caiu em você, beija ele.
— Somos melhores amigos. Yuri é como um irmão pra mim, não é certo, não rola.
— Seu único irmão é Stefan.
— Melhor eu do que outro, Lana...vamos lá.
É aí que ele se engana, seria melhor qualquer outro do que ele. Bufo, me colocando de pé e andando até ele a contra gosto que já tinha ido para o meio da roda.
O encaro por alguns segundos e aproximo nosso lábios com receio mas ele me puxa de uma vez, e quando dou um breve selinho, ele segura meus cabelos, forçando minha boca abrir e dar passagem a sua língua. Ele suga meus lábios com insistência e por um nano segundo, eu cedo, mas logo o empurro para longe.
— Chega. - Olho para Kira põe cima do meu ombro, a vendo sorrir abertamente e todos na roda que não estão cochichando entre si, estão com a mesma cara.
— Próximo. - Um cara pega a garrafa da não de Yuri.
Olho desconfortável para ele do outro lado da sala, e nego com a cabeça em reprovação. Ele forçou um beijo.
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Bato a porta do carro, acenando para o motorista que me dá boa noite. E agarrada ao meu sobretudo, abraçando meu próprio corpo, eu caminho para a entrada da casa.
— Boa noite, senhorita. - O segurança abre a porta principal para mim.
Ando a passos rápidos e largos para dentro da mansão, o segurança abre um lado das portas duplas para que eu passe e já no hall, a vejo ali, parada. Com a expressão de uma criança arteira sendo pega no flagra, mesmo que ela tenha acompanhado todo o meu trajeto até aqui, sabendo que eu a questionaria. Ela não subiu correndo, decidiu ficar e me enfrentar, ela é birrenta, para
não dizer corajosa.
— Agora deu para ficar espiando enquanto fico com outra? - a minha primeira frase quase desconcerta sua pose. Parece que ela não vai parar tão cedo de me perseguir, de invadir o meu espaço. Ela quer ser minha mas para isso precisa de esforço, de certeza, porque se ultrapassar todas as minhas barreiras, quando passasse do limite dela, não haveria volta. E nem a morte mudaria seu destino já selado.
— Se isso é um problema pra você, talvez devesse parar de ficar com outra.
Uma língua muito atrevida. Me aproximo um passo, deixando pouco espaço entre nós.
— Ou você que deva parar de me seguir.
Seus ombros relaxam quando o ar sai de seus pulmões em um suspiro, um gesto de perda de paciência.
— Para de se fazer de difícil, sei que está tão afim quanto eu. Ou vai me dizer que não? Vai continuar negando?
— Enlouqueceu de vez. - blefo.
— Você só tem dezoito.
Isso realmente me incomoda um pouco, muito jovem, um tanto imatura. Entretanto, o que me deixa louco é todo esse potencial, essa insistência. É atraente para mim tanto quanto o seu corpo, seus lábios, essa sua língua afiada, despertando minha vontade de doma-la. De tentar doma-la...ela não se encaixa no tipo de mulher que eu fodo, que fica de baixo de mim disposta a fazer o que eu bem entender, fora da cama cheia de postura e classe. Ela é rebelde demais, isso desperta algo desconhecido dentro de mim.
Estou dando todas as chances dela desistir desse destino que está traçando para si no caminho de ser minha.
— Dezessete...dezoito daqui alguns dias. - corrige. — Mas e daí?
— Piorou, eu tenho vinte e cinco. E você não faz meu tipo, gosto de coisas que você nem sabe que existem.
— Eu sei mais coisas do que você imagina. E sua idade não importa pra mim, e a minha também não deveria pra você. Não finja que tem princípios.
— Touché...- Dou um sorriso de lado. Nisso ela me pegou. escrúpulo não é uma das minhas maiores virtudes, realmente. — O que te faz pensar que vou ficar com você depois de ter ficado com uma mulher daquelas? - a testo, torcendo para que ela reaja a altura e não como uma descontrolada.
— O que me faz pensar é a esperança de que você possa ser um pouquinho inteligente e me deixar provar que posso ser melhor do que ela ou qualquer outra que já tenha experimentado. - A este ponto ela já rompeu todo o espaço que nos separava, seu corpo está perto do meu.
— Olha, ela é confiante. - comento, parado. Não aumentando e nem diminuindo a distância. — Mas não sei se é tudo isso mesmo. - Meu olhar de de deu rosto até seus pés descalços no chão. Aqui dentro está quente, os aquecedores fazem seu trabalho, já que lá fora se instalou o típico frio russo.
— Nunca vai saber se não provar.
— Vamos ver então. - Com um movimento rápido selo nossos lábios. Minhas mãos agarram sua cintura quando a pego no colo e suas pernas envolvem meu quadril.
Sugo seus lábios com fome e desejo, apreciando o gosto inigualável de seus lábios de forma selvagem. Ela não se retém pela minha intensidade, retribui na mesma medida, afundando suas mãos em meus cabelos. Aproveito seu corpo quente em meu colo sob o meu domínio e posse para apertar sua bunda com uma das mãos, sua carne é tão macia quanto eu imaginava. O seu cheiro me inebria, a este ponto já sinto meu pau duro se mexer na calça, no desejo de entrar nela e tomar algo que quer revendicar como seu. Todo meu controle é gasto para separar nossos lábios para eu não ir tão longe com ela, não tão rápido.
— Você pode morrer, sabia? - Seu pescoço livre chama a atenção dos meus lábios que se colam nele, beijando e chupando a área enquanto inspiro sua fragrância.
— Não é como se eu fosse me importar...- diz em um gemido ao sentir meus lábios.
É o meu limite, não posso passar daqui.
— Tem razão, você é muito gostosa. - falo a ela, ainda segurando-a em meu colo mas sei os beijos.
— Isso porque não provou o resto ainda. - Responde, descendo do meu colo e se estabilizando de volta quando seus pés tocam o chão.
— Quem sabe um dia, gatinha...- Me afasto totalmente, indo em direção as escadas e a deixando ali.
[...]
As gotas de água quente correm por meu corpo me causando um relaxamento imediato. Mesmo que há pouco tempo eu tenha me liberado na loira, tive que voltar a adolescência e me masturbar pensando na garota rebelde que roubou meu juízo e metade do meu controle.
Ela anda me deixando louco. Já tive que usar muito do meu limite para não fazer uma besteira quando chegou bêbada de madrugada dizendo que ficou com outro. Eu não deveria me importar...ela ainda não é minha.

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