Pâmela reprimiu o choque em seu coração e imediatamente abriu um sorriso.
— É como a gíria da internet, 'morri, herde minhas dívidas', a mesma lógica. Eu posso deixar você herdar meu carro.
Beto resmungou:
— Pâmela, você está tirando vantagem de mim. Não sou seu filho, quem quer herdar seu carro? Quando seu testamento for válido, eu já vou ser um velho de oitenta anos. Acha que ainda vou conseguir pilotar? Mesmo que eu consiga, este carro já estará velho demais para correr.
Ao ouvir o falatório habitual de Beto, Pâmela soltou um suspiro de alívio.
Felizmente, ele não percebeu o verdadeiro significado de 'testamento' em suas palavras.
Pâmela sorriu:
— Sim, sim, eu entendi.
O carro entrou em uma via interna, um trecho sem monitoramento, sem controle de velocidade e com poucos veículos.
A mão de Pâmela, que antes estava apoiada displicentemente na moldura da porta, de repente se moveu para o volante.
Beto notou esse pequeno gesto por acaso, e instantaneamente, por reflexo, agarrou a alça de segurança.
Sua outra mão segurava o cinto com força mortal.
— Nossa...
Uma força violenta o pressionou contra o assento.
Pâmela sorriu de repente e avisou:
— Segure-se firme.
Beto disse:
— Não... da última vez que você me levou para correr, não tinha carteira de motorista. Agora, já faz anos que você não dirige. Minha vida também importa, me poupe!
Pâmela soltou uma gargalhada revigorante:
— Hahaha... do que você tem medo? Não confia nas minhas habilidades de piloto?
O carro acelerou rapidamente, e a habilidade de Pâmela ao volante era impecável. Em um drift perfeito na curva, seu corpo se inclinou levemente, enquanto Beto, como uma mulher indefesa e frágil, gritava estridentemente no banco do passageiro.
— Vai com calma, com calma, isso não é uma pista de corrida.
Pâmela perguntou:
— O que você acha? Se eu voltar para as pistas, ainda consigo manter meu auge?
Beto respondeu:
— Não sei, só sei que estou prestes a morrer.
Ao fazer a segunda curva, Pâmela acelerou ainda mais, ignorando completamente a vida de Beto.
O vento de verão soprava pelo conversível, jogando seus cabelos para trás, como se a jovem apaixonada e intensa da adolescência estivesse de volta.
A liberdade da alma estava no volante nas mãos de Pâmela. Naquele momento, sua mente estava livre de qualquer preocupação da realidade, restando apenas seu eu completo e a liberdade absoluta.
Depois de reviver a emoção de correr, Pâmela dirigiu o carro de volta para a via principal da cidade, reduziu a velocidade e se juntou ao fluxo de tráfego, deixando Beto em segurança na porta de sua casa.
No momento em que desceu do carro, as pernas de Beto estavam fracas, tremendo como vara verde, e ele quase não conseguiu ficar de pé.
Ao ver isso, Pâmela soltou o cinto de segurança e saiu para ajudá-lo.
Ela perguntou, um pouco arrependida:

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