Pâmela não esperava por essa situação de forma alguma.
Sandro estava prestes a se jogar sobre ela quando, no segundo seguinte, o tapa de Pâmela atingiu seu rosto com força.
Aproveitando sua confusão, Pâmela já havia se levantado da cama.
Ela o encarou com um olhar tão afiado que parecia capaz de perfurá-lo.
Sandro também não esperava que Pâmela se recusasse a deixá-lo tocá-la.
E que ainda lhe desse um tapa.
Ele se lembrava de como, antigamente, ela se preocupava com o menor arranhão em seu corpo. Ela nunca teria levantado a mão para ele.
Ela parecia ter usado toda a sua força naquele tapa, pois o rosto de Sandro agora ardia.
Antes que Sandro pudesse se recuperar daquela comparação emocional, Pâmela o advertiu severamente.
— Nem sonhe com isso. Eu te enviei os papéis do divórcio há um ano. A partir do momento em que você me usou para proteger Roberta, tudo entre nós acabou. Nem pense em ter filhos, entendeu?
Ela havia aceitado o convite dos mais velhos da família Gattas para jantar apenas para ter a oportunidade de esclarecer esse ponto com eles.
Ela veio hoje para deixar as coisas claras, não para agradar ou ceder.
Mas, vendo que Sandro provavelmente não entendia isso, aquele tapa serviu como um lembrete.
O tapa também pareceu enfurecer Sandro. Ele a encarou, seu olhar agora também gélido.
— Pâmela, ele é seu filho. Como você pode ser tão cruel? Você realmente vai assistir seu filho morrer em vez de salvá-lo?
— Sandro, em vez de me questionar, por que não reflete sobre si mesmo? Oscar sempre foi frágil, mas nunca chegou a este ponto. Por que sua saúde está tão ruim agora?
— Antes de eu ir para a prisão, escrevi uma lista de cuidados. Você sequer olhou para ela?
— A saúde do nosso filho é delicada. Ele não pode comer uma porção grande de sorvete; no máximo, duas colheradas já é o limite.
— E no dia em que saí da prisão, ele estava com uma porção enorme de sorvete na mão, comendo até o fim.
— Ele é uma criança, não tem autocontrole suficiente. E você? Seu pai?
— Antes de me chamar de cruel, não deveria pensar no que você fez pela saúde do seu filho?
Sandro pensou um pouco. Ele se lembrava vagamente de Pâmela lhe dando uma lista de instruções escritas à mão antes de ir para a prisão.
Na época, ele estava muito ocupado e sobrecarregado, então simplesmente a entregou a Roberta, pedindo que ela tomasse cuidado.
Mas, lembrando que Roberta também era muito ocupada e trabalhava sob grande pressão, Sandro mudou de assunto imediatamente.
— Se soubesse que seria assim, não teria feito o que fez. No aniversário da vovó, por que você insistiu em brigar com Roberta?
— Ela é apenas um talento importante para a empresa, mas você sempre a viu como uma rival imaginária.
— Criou problemas do nada e causou todo aquele escândalo.
— Roberta não fez nada de errado. Ir para a prisão não foi tão injusto para você.
Pâmela olhou para o homem que um dia esteve ao seu lado, com quem dividiu a cama.
Naquele momento, ele parecia um completo estranho.
Ela se casou com ele, teve um filho com ele, mas agora sentia como se nunca o tivesse conhecido de verdade.


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