Evaldo serviu pessoalmente o café da manhã a Pâmela, que, distraída, quase mordeu o próprio dedo ao voltar a si.
— Em que está pensando? Tão absorta? Ou não gostou do café da manhã e quer pedir outra coisa?
Pâmela sorriu, sem graça.
— Assuntos de família. Desculpe.
Ela pegou o café da manhã que Evaldo lhe ofereceu e começou a comer com atenção.
Evaldo disse:
— Há algo em que eu possa ajudar? Por exemplo, eu tenho alguns contatos em vários setores, e recursos podem ser mobilizados a qualquer momento.
— Se tiver algum problema no trabalho, tenho alguns programadores muito competentes nos Estados Unidos que posso te emprestar.
— Ou, se não estiver se sentindo bem, meus recursos médicos são excelentes. Pode usá-los à vontade.
Ao ouvir a última frase, os olhos de Pâmela se iluminaram.
Recursos médicos, excelentes, para usar à vontade!
Era exatamente nisso que ela estava pensando.
Pâmela levantou-se de um salto.
— Evaldo, você realmente pode me ajudar na área médica. Minha avó está em estado vegetativo há dois anos.
— Ontem, quando fui visitá-la, minha permissão de acesso foi revogada. Por isso, estou pensando em comprar uma casa, equipá-la com os melhores aparelhos médicos e contratar os melhores médicos para reavaliar o caso dela.
Evaldo respondeu:
— Sem problemas. Mas... primeiro, prometa que vai morar aqui comigo, para facilitar nosso tratamento mútuo.
Pâmela presumiu que Evaldo estava com medo de que ela, o recipiente de seu rim, fugisse, colocando sua vida em risco.
Então, ela sorriu.
— Fique tranquilo. Eu prometi que deixarei o rim para você quando chegar o dia. Não vou fugir.
— Morar aqui com você é um incômodo. Desde que tive a ideia de tirar minha avó daqui, planejei comprar minha própria casa e contratar médicos, enfermeiros e cuidadores.
— Assim, você não precisará se preocupar que eu morra sozinha e desperdice um rim.
Evaldo mal tocou no café da manhã, sentindo que havia perdido o apetite.
Ele pousou os talheres.
— Deixe-me pensar.
Pâmela não pensou muito a respeito.
— Está planejando os recursos médicos? Obrigada, Evaldo. Nos conhecemos há pouco tempo e já estou te dando tanto trabalho.
Evaldo olhou para o relógio.
— Parece que você vai se atrasar para o trabalho.
Pâmela olhou a hora e, sem querer se demorar, pegou suas coisas e saiu.
Antes de ir, ela ainda disse:
— O café da manhã estava delicioso.
Quando Pâmela saiu pela porta azul do quarto, Ronaldo a viu por acaso.
Mas, com tantos problemas na família nos últimos dias e com Natália prestes a receber alta, Ronaldo achou melhor não criar mais confusão e não mencionou o fato a ninguém da família.
No quarto do hospital.
Evaldo disse:
— Leve tudo.

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