Pâmela sentia seu corpo tremer.
Ela pensava que era forte o suficiente.
Mas nunca imaginou que alguém pudesse lhe dar um golpe como aquele, naquele lugar.
Ela mesma não dava importância ao fato de ter estado na prisão e, ao sair, começou a viver sua vida normalmente.
Mas por mais forte que fosse sua mente, diante daquela situação, o coração de Pâmela se partiu em mil pedaços.
Oscar acabara de chamá-la de mãe, mas agora, com o rosto cheio de mágoa, soltou a mão de Roberta e saiu correndo, chorando alto.
Todos os pais que levavam seus filhos para a escola naquela manhã a encaravam.
Várias crianças, ao ouvirem que ela era uma assassina, começaram a chorar de medo, escondendo-se atrás de seus pais.
Os pais cochichavam entre si:
— Numa creche de alto padrão como esta, os alunos não passam por uma triagem rigorosa? Como qualquer um pode entrar?
— Exato, uma assassina, que horror. Como nossos filhos podem estudar na mesma creche que o filho de uma assassina?
— Não, temos que nos unir e exigir uma explicação da escola.
— Isso mesmo, com mensalidades e taxas de administração tão altas, como podem deixar nossos filhos estudarem com o filho de uma assassina?
Os cochichos dos pais foram se tornando cada vez mais altos.
Enquanto isso, a causadora de tudo, Roberta, permanecia de lado, com um sorriso frio no rosto, observando a cena como se fosse um espetáculo.
Pâmela nunca foi tola. Como tudo poderia ser uma coincidência?
As vozes ao seu redor gradualmente desapareceram, e seu mundo ficou em silêncio, restando apenas Roberta à sua frente.
Ela caminhou passo a passo e parou diante de Roberta.
Mas Roberta falou primeiro:
— Aos cinco anos, minha mãe e eu contávamos apenas uma com a outra. Vivemos nas ruas, pedimos comida. Minha mãe é o meu limite...
Antes que pudesse terminar, Roberta sentiu uma lufada de vento passar por sua orelha, seguida por um som agudo de 'plaft' que quase perfurou seu tímpano, e depois uma dor ardente se espalhou por seu rosto.
Antes que Roberta pudesse reagir, o outro lado de seu rosto recebeu outra bofetada de Pâmela.
Quando ela finalmente se deu conta, percebendo os olhares de todos ao redor, Pâmela a advertiu:
— Isso é apenas um aviso. Da próxima vez, experimente para ver.
Dito isso, Pâmela se virou e foi embora.
Ao sair da creche, ela tirou temporariamente Sandro da lista de bloqueados.
Ligou para ele, e Sandro atendeu com relativa rapidez.
Mas seu tom era claramente impaciente:
— Estou me preparando para uma reunião importante. Se tiver algo a dizer, diga rápido.
Pâmela foi direta:
— Se você não consegue cuidar bem de Oscar, talvez devesse pedir a Gonçalo para sair da aposentadoria e ajudar a encontrar tutores de renome para educá-lo.
Gonçalo era o pai de Sandro.
Sandro percebeu a gravidade da situação a partir daquela frase.
— Pâmela, o que você quer dizer? Que loucura é essa, logo de manhã?
Se Gonçalo, que estava se recuperando no exterior, fosse perturbado, as coisas se complicariam.

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