Natália correu para bater na parede, mas Roberta, ágil, a abraçou.
A cabeça de Natália ainda atingiu a parede, mas com menos força, e um inchaço começou a se formar em sua testa.
Tomas ficou com o coração partido.
— Natália... não é sua culpa, é tudo culpa dessa filha ingrata! Como você pode ser tão tola? Se algo te acontecer, como eu vou viver?
Pâmela franziu a testa. A peça de hoje estava ficando cada vez mais animada.
Natália era tão boa atriz que o Oscar lhe devia um troféu.
Essa atuação, ela não pôde deixar de aplaudir!
Essa atuação, essa coragem de se arriscar, não era de se admirar que sua mãe tivesse perdido no passado.
O som dos aplausos de Pâmela os feriu novamente.
Tomas, ocupado cuidando de Natália, chamou os empregados, pediu o kit de primeiros socorros e ligou para uma ambulância.
Allan também estava correndo para ajudar, e desta vez até Ronaldo começou a culpá-la.
— Pâmela, você passou dos limites!
Pâmela respondeu:
— Uma mulher sem status que vive na casa de um homem casado não é o mesmo que uma concubina?
Tomas, enquanto cuidava de Natália, ainda encontrou tempo para gritar:
— Saia, filha ingrata, saia daqui!
Pâmela não queria mais ficar e se virou para sair.
Ao sair, Pâmela ainda não entendia por que a encenação de hoje era para que ela apresentasse o Edson da Maravilha Azul.
Será que esse Edson era a mesma pessoa que aparecia nas notícias?
Como eles podiam pensar que ela o conhecia?
Quando esse mal-entendido surgiu?
Eles estavam tão certos de que ela o conhecia, mas ela realmente nunca o tinha visto.
Mas magia se combate com magia, e essa tática foi muito eficaz.
Assim que Pâmela voltou para o quarto de Evaldo e estava prestes a fechar a porta, ela viu a família Castro trazendo Natália para o hospital.
Desta vez, ao contrário da noite anterior, seus movimentos eram suaves e suas vozes, baixas.
Mas ainda assim urgentes.
Evaldo comentou:
— Sua força de combate é impressionante. Fez alguém para o hospital?
Pâmela respondeu:
— Traída por todos, sozinha no mundo. Agora, só posso me abrigar temporariamente aqui para evitar morrer sem que ninguém saiba.
Suas palavras soavam tristes.
Evaldo disse:
— Imagino que você não tenha comido muito esta noite. Guardei um jantar para você. Uma refeição nutritiva especial, rica em nutrientes e com um sabor digno de um restaurante Michelin. Quer provar?
— Quero. Até o dia da minha morte, vou cuidar bem do meu corpo para garantir um rim saudável.
Os dois se olharam e riram. Surpreendentemente, o apetite de Pâmela estava ótimo.
Talvez por estar com muita fome, ela comeu todo o jantar que Evaldo havia guardado.
Do lado de fora, a família Castro ia e voltava, cuidando de Natália.
Não demorou muito para Sandro chegar.
Logo depois que ele chegou, o telefone de Pâmela tocou.
Evaldo olhou para o nome 'Sandro' na tela do celular:
— Uma chamada para te culpar?

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