Sandro olhou para Pâmela.
Ele nunca a tinha visto falar com ele daquele jeito.
A Pâmela que o cortejava era intensa e, como filha da família Castro, também era orgulhosa.
Mas, na maioria das vezes, ela falava com extrema gentileza.
A Pâmela diante dele agora era afiada, com uma ferocidade combativa que a tornava uma estranha aos olhos de Sandro.
Será que a prisão a transformou tanto assim?
Sandro quis deixar para lá, mas atrás dele, Natália chorava ainda mais alto, e Roberta a consolava sem parar.
Sandro olhou friamente para Pâmela.
— Essa é a educação que você recebeu como a herdeira da família Castro?
Pâmela respondeu.
— Ah, que tipo de educação a família Castro tem? Um pai infiel, uma mãe louca, os irmãos cegos e uma avó em estado vegetativo, graças a certas pessoas.
— Agora vejo. Antes, você estava apenas fingindo para me conseguir.
Pâmela olhou para Sandro com frieza, como se nunca o tivesse conhecido.
O homem que antes parecia nobre e virtuoso aos seus olhos, na verdade, não passava de um homem comum.
Realmente, insuportavelmente vulgar.
Pâmela olhou para a cama, onde Oscar a encarava com um olhar de repulsa do início ao fim.
Era como se a sua existência como mãe fosse uma vergonha para ele.
Pâmela não se prendeu mais a isso; sua vinda hoje tinha sido um erro.
O coração de um filho que muda é mais desolador do que o de um marido.
Ela saiu do quarto e foi para o da sua avó, ao lado.
Em comparação com a agitação no quarto de Oscar, o da sua avó era muito mais frio e silencioso.
A velha senhora jazia na cama, com sua vida mantida pelos tubos conectados ao seu corpo.
Na sua idade, Pâmela não sabia se ela teria alguma chance de acordar.
Aqui, ninguém a desprezava, ninguém a julgava mal.
Depois que sua mãe enlouqueceu, sua avó era a única pessoa que a ouvia.
Ela lhe levava comidas deliciosas que preparava nos fins de semana e comemorava sinceramente com ela quando desenvolveu o La Algoritmo.
E quando ela deixou a própria empresa para ajudar Sandro a começar a sua, foi a avó quem a aconselhou, dizendo que mesmo apaixonada e casada, uma mulher deveria ter sua própria carreira e não girar em torno de um homem.
— Vovó, a culpa é minha. Eu não ouvi seu conselho. Minha cabeça estava nas nuvens, aproveitando apenas a doçura do amor. Eu não sabia que havia um monte de merda sob aquela casca doce, e acabei te machucando.
— Vovó, abra os olhos e olhe para mim. Me bata, a culpa é toda minha.
— Contanto que você acorde, eu aceito qualquer punição.
Nos últimos dois anos, toda a sua dor veio como uma maré.
Pâmela pegou a mão da avó e a levou ao próprio rosto.
Mas, infelizmente, a velha não mostrou qualquer reação.
Pâmela falou sozinha por um longo tempo e, depois de se recompor, foi perguntar ao médico sobre a situação.
Ela soube que a chance de recuperação da avó era mínima. Os ferimentos graves de dois anos atrás eram quase irreversíveis. A menos que ocorresse um milagre médico, remover os tubos significaria a morte.
A família Castro mantinha a vovó nesse estado apenas porque ela também vinha de uma família proeminente, com uma complexa rede de contatos por trás.

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