Ricardo permaneceu inabalável: — Sendo assim, vá primeiro para a Vinícola Aurora onde te levei ontem e familiarize-se com o ambiente de trabalho.
— Certo.
Larissa chegou à vinícola.
A sommelier que ela estava substituindo havia voltado do hospital para trabalhar.
Todos na vinícola a chamavam de Tânia; ela parecia um pouco mais velha que Larissa.
Logo de cara, começou a dar um sermão em Larissa:
— O Sr. Fontes é um cliente que eu sempre cuidei, e hoje ele bloqueou todos os meus contatos. Larissa, você não entende as regras?
Tânia era bonita. Ela não precisava usar o uniforme de sommelier; podia escolher roupas com seu próprio estilo, geralmente algo sensual e curvilíneo, e também era um grande atrativo da vinícola.
A presença de Larissa a fez se sentir muito ameaçada.
Larissa explicou: — O Sr. Rossi disse que você estava doente e me chamou para te substituir temporariamente. Eu não sabia dos detalhes.
Tânia insistiu: — Você tem coragem de admitir que fez isso de propósito contra mim, para tentar roubar meu lugar?
Larissa achou aquilo um absurdo: — Você está pensando demais. Para mim você é uma estranha, não tenho necessidade de te prejudicar.
Tânia deu uma risada irônica, com uma expressão sarcástica: — Você tem coragem de dizer que não tem um caso com o Ricardo? Uma novata que acabou de entrar na área e não tem habilidade nenhuma consegue fechar um contrato de milhões? Ou será que você usou essa carinha sedutora e dormiu com o Sr. Fontes?
Larissa franziu a testa: — Fale com mais respeito. Com essa boca tão suja, parece que você comeu algo podre no café da manhã.
Tânia arregalou os olhos, furiosa, e jogou o vinho da taça em Larissa.
— Sua descarada! Hoje eu vou te dar uma lição!
A recepcionista, nesse momento, trouxe consigo sete ou oito homens jovens e bonitos.
— Larissa, o cliente exigiu que você seja a sommelier dele.
Larissa olhou de lado. Samuel, além daqueles do círculo dele.
Ela não sabia o nome de todos, mas de qualquer forma, nenhum gostava dela.
Larissa limpou a mancha de vinho em sua roupa.
O jovem mestre da família Viana, do outro lado, fez cara de nojo: — Como é que viemos beber e ainda damos de cara com ela? Que azar!
Esses herdeiros de famílias ricas cresceram juntos e eram muito próximos. Diego ainda estava no hospital, e o grupo inteiro descontava a raiva em Larissa, aproveitando qualquer chance para humilhá-la sempre que a viam.
Larissa nunca levantava a cabeça na frente deles.
Ela estava acostumada.

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