Larissa tinha acabado de sair da sala VIP.
O Sr. Rossi a puxou para a sala ao lado para esperá-lo, e foi então que ela recebeu a ligação de Gabriel.
— Senhora, o Sr. Azevedo está procurando você.
Gabriel não se atreveu a repetir a pergunta de Samuel. O patrão nunca entrava em contato com Larissa por conta própria: tudo era transmitido por meio dele. Às vezes Gabriel se sentia sufocado no meio dos dois. Ver um casal tão infeliz chegar a esse ponto o deixava sem saber o que fazer.
Larissa perguntou educadamente: — O que ele quer?
Gabriel olhou de soslaio para o homem que lia os documentos de trabalho e tocou o próprio pescoço frio.
— O Sr. Azevedo não disse, talvez esteja com saudade e queira que você volte para casa?
Samuel franziu a testa, mas não disse nada, apenas virou a página do documento.
Larissa logo percebeu que Gabriel estava tentando apaziguar as coisas. Muitas vezes ela era grata a ele por filtrar as ofensas e humilhações, ajudando a manter um pouco de dignidade.
— Por favor, secretário Gabriel, diga a ele que nos vemos no cartório para o divórcio. Se houver mais alguma coisa, eu tenho trabalho a fazer; falamos quando eu tiver tempo.
O celular de Gabriel estava no viva-voz; Samuel ouviu claramente.
— Sr. Azevedo, é bom que a senhora queira trabalhar. Que tal arranjar um cargo tranquilo na empresa para ela?
Samuel levantou o olhar lentamente, os olhos afiados:
— Você acha que pode se intrometer nos meus assuntos?
A voz suave de Larissa saiu do telefone: — Gabriel, obrigada pela intenção, mas não vale a pena perder o emprego por mim.
Gabriel se sentiu mal ao ouvir isso.
Larissa sempre foi muito quieta na família Azevedo. A família não gostava dela, e até os empregados a maltratavam.
Ela nunca brigava nem causava confusão, nunca reclamava. Como alguém de fora, ele não suportava ver aquilo.
— Senhora, não seja formal comigo. O Sr. Azevedo, na verdade, não quer...
— Gabriel, já chega. — Samuel jogou os documentos na mesa, com uma voz fria: — Se ela quer se rebaixar, deixe.
Gabriel ficou com uma expressão derrotada.
Nem um milagre salvaria aquela família.
Ouvindo o sinal mecânico de ocupado no celular, Larissa ficou olhando para os padrões do chão, absorta.
O Sr. Rossi abriu a porta e entrou. Ele olhou para ela como se visse uma mina de ouro:
— O cliente fez questão de te convidar para jantar. Arrume-se rápido e venha comigo para a segunda rodada.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Partido, Filho Escondido