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Coração Partido, Filho Escondido romance Capítulo 11

O carro estava quente, e Larissa fechou os olhos, morrendo de sono.

Pensando na flor de mandala tatuada no tornozelo de Sabrina.

Samuel também tinha uma, bem no peito.

Foi na vez em que ele voltou do exterior, e os empregados do Residencial Bellavista foram reclamar, dizendo que Larissa não dormia em casa há um mês.

Naquela época, Renato estava com pneumonia e febre alta, e Larissa permaneceu ao lado dele no hospital. Samuel chegou com o rosto fechado e questionou por que ela tinha jogado fora o cartãopostal que Sabrina lhe havia enviado.

Após dois anos separados, a primeira frase quando se viram foi ele voltando para brigar com ela, e ainda por causa da mulher que amava.

Samuel disse: — Larissa, você tem culpa no cartório e vê maldade em tudo, com que direito questiona a minha relação com a Sabrina?

— Se gosta tanto de ficar fora, não volte, não precisava usar esse método para me fazer voltar ao país.

— Não me fale em criança, já disse muitas vezes, eu nunca pediria para você ter um filho meu.

O conflito explodiu assim.

Aquela foi a primeira vez que ela perdeu o controle, rasgou a certidão de casamento e pegou uma faca de frutas. Uma voz em sua cabeça dizia que bastava cortar com força para se libertar.

Samuel arrancou a faca dela, a chamou de louca e a deixou sozinha desmoronando, virando-se e indo embora.

Larissa sofreu com e-mails anônimos naquela época, e só depois percebeu que já estava presa em um estado depressivo há muito tempo.

Dois meses depois, Samuel voltou como se nada tivesse acontecido, e apareceu com aquela flor bonita no peito.

Larissa também fingiu que nada havia acontecido.

A vida dela era solitária e vazia, mas frequentemente ficava de pernas pro ar por causa de uma mulher com quem não tinha nada a ver.

Foi só ao ver Sabrina esta noite que ela entendeu.

Sempre que ela e Samuel brigavam e ficavam sem se falar, ele estava com outra mulher.

E ela só mergulhava em um desgaste sem fim, constantemente refletindo sobre como havia se tornado uma mulher louca e histérica.

Naquela época, ela estava imersa em uma dor sufocante, e demorou muito para abrir uma fresta por onde pudesse entrar um pingo de vida.

A ponto de que, até hoje, bastava lembrar para ser dominada por aquele sentimento de desespero.

As lágrimas escorreram pelo rosto, e Camila a ajudou a secar suavemente: — Larissa, chegamos em casa.

Larissa abriu os olhos, embaçados por lágrimas, e abraçou Camila: — Camila, eu nunca mais quero viver a vida de antes.

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