“Amy Ferretti”
Demoro alguns segundos para entender por que meu corpo parece tão pesado.
As pálpebras custam a obedecer e, quando finalmente consigo abrir os olhos, tudo parece claro demais para ser meu quarto.
O cheiro de antisséptico chega antes mesmo de qualquer lembrança.
Hospital.
Pisco algumas vezes, tentando organizar os pensamentos.
A última coisa de que me lembro é o banheiro da empresa. A pia. Minha visão escurecendo.
Depois disso, as lembranças voltam em flashes desconexos.
Vozes apressadas. Alguém chamando meu nome várias e várias vezes.
Quando finalmente consegui abrir os olhos, estava no banco de trás do carro, com a cabeça apoiada no colo de Dante, enquanto ele acariciava meus cabelos e dizia que já estávamos chegando.
Em seguida, uma maca. Luzes fortes. A médica dizendo que eu precisava descansar. E, por fim, um cansaço tão absurdo que nem consegui lutar contra ele.
Acho que foi a última vez que apaguei.
Respiro fundo e volto a observar o quarto ao meu redor, agora com a mente um pouco menos confusa.
Então viro a cabeça lentamente e encontro Dante dormindo na cadeira ao lado da cama.
A gravata está frouxa no pescoço. As mangas da camisa dobradas até os antebraços, e alguns fios escuros caem sobre a testa.
Ele parece exausto.
Ainda assim, seus dedos continuam entrelaçados aos meus.
Solto um suspiro baixo, sem a menor ideia de há quanto tempo estamos aqui.
Nem de quanto tempo ele está sentado nessa cadeira desconfortável.
Com cuidado, tento me sentar na cama sem acordá-lo. Mas, assim que me mexo, ele abre os olhos no mesmo instante.
Por um segundo, apenas me encara, como se precisasse confirmar que estou realmente acordada.
Então toda a tensão em seu rosto simplesmente desaparece.
— Amy…
A voz dele sai rouca, baixa, carregada de um alívio que ele nem tenta esconder.
Antes mesmo que eu consiga responder, Dante já está de pé ao lado da cama.
A mão dele aperta a minha com mais força.
— Dante, como… — digo, limpando a garganta antes de continuar. — Os bebês. Como eles estão?
Ele fecha os olhos por um breve instante, soltando o ar devagar, como se só agora se permitisse respirar direito.
Quando volta a me olhar, leva a mão livre até meu rosto e afasta uma mecha do meu cabelo.
— Nossos filhos estão bem.
Sinto o ar voltar aos meus pulmões de uma vez só. As lágrimas surgem antes mesmo que eu perceba.
— Tem certeza?
Dante assente.
— A médica fez um ultrassom assim que você chegou. Os dois estão bem. Não havia nenhum sinal de que havia algo errado com eles.
Fecho os olhos, deixando uma lágrima escapar.
— Graças a Deus…
Levo a mão até a barriga quase por instinto, e um peso enorme finalmente parece deixar meu peito.
Dante se inclina e me dá um beijo demorado na minha testa.
— Há quanto tempo eu estou aqui?

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