Consegui sobreviver a uma queda de pressão, a uma noite no hospital e ao medo de algo estar errado com meus bebês.
Mas não tenho certeza se vou sobreviver ao café da manhã.
Mais especificamente, ao homem sentado ao meu lado, segurando uma torrada como se fosse uma arma e me encarando até que eu dê a próxima mordida.
— Dante, isso é um exagero — murmuro, revirando os olhos. — Consigo comer sozinha.
— Eu sei — responde, sem desviar o olhar. — Mas prefiro te ajudar com isso.
Encaro a torrada com geleia de blueberry por um segundo. Depois, mordo a ponta apenas para acabar com isso.
Ele espera, sem pressa, até que eu mastigue e engula. Então, aproxima a torrada novamente.
— Dante, você sabe que isso é desnecessário, né?
— Sei.
Mordo outra vez, finalmente acabando com ela.
Meu marido assente, satisfeito, e pega o copo de suco de laranja, estendendo-o para mim.
— Bebe.
— Dante, eu…
— A médica disse hidratação, Amy.
Reviro os olhos, mas pego o copo e bebo metade de uma vez.
Ele observa cada gole com uma atenção que seria irritante se não fosse tão… absurdamente dele.
Quando coloco o copo de volta na mesa, ele pega outra torrada e a leva até minha boca.
— Estou satisfeita.
— Coma mais uma só por garantia.
Olho para ele por um segundo. Depois, mordo a torrada, porque é mais fácil do que discutir com Dante Ferretti antes das oito da manhã.
Ele espera até eu terminar de mastigar o último pedaço antes de finalmente se recostar na cadeira, parecendo minimamente satisfeito.
— Feliz? — pergunto, limpando os cantos da boca com o guardanapo.
— Ainda não. Mas é um progresso.
Reviro os olhos, mas não consigo evitar o sorriso.
Porque, apesar de todo o exagero, existe algo diferente nele desde ontem.
Uma fragilidade que nunca vi.
Dante se levanta e pega a bandeja do meu colo. No mesmo momento, duas batidas vêm da porta entreaberta.
Viro o rosto e vejo Paige e Victor entrando.
Paige vem na minha direção, parando ao meu lado, enquanto Victor fica do outro lado da cama, estendendo um buquê de flores amarelas.
— Para a Sra. Ferretti — diz, sorrindo. — Que nunca deve pregar sustos assim nas pessoas.
Pego o buquê, rindo baixo.
— Vocês dois estão fazendo as coisas parecerem mais sérias do que realmente são.
— Você desmaiou no banheiro da empresa — ele responde, arqueando uma sobrancelha. — Deixa a gente dramatizar um pouco.
— Como você está? — Paige pergunta, se sentando na beirada da cama.
— Bem melhor. Juro.
Victor estreita os olhos, como se estivesse decidindo se acredita ou não. Depois, desvia a atenção para Dante e faz um gesto discreto com a cabeça na direção da janela.
Os dois se afastam para o canto do quarto, falando baixo.
Paige se inclina na minha direção imediatamente.
— Tá bom. Agora fala a verdade.
Solto o ar, ajeitando as flores no colo.
— Estou bem, Paige. Ontem foi horrível, mas acordei me sentindo melhor do que esperava.
Ela assente devagar, sem tirar os olhos de mim.
— E ele? — pergunta, apontando o queixo na direção de Dante. — Como ele ficou?

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