Por alguns segundos, simplesmente esqueço como se respira.
Ela continua me olhando, como se não tivesse acabado de virar meu mundo do avesso com uma única frase.
Nunca imaginei ouvir isso. Muito menos dela.
Amy solta minha gravata devagar, como se começasse a se arrepender do que disse.
— Eu…
Seguro seu pulso antes que ela recue, e ela volta a me olhar.
— Você faz ideia do que acabou de me dizer?
Ela assente devagar.
— Tenho.
— Então também sabe o efeito que isso tem em mim.
— Sei.
Meu autocontrole, que passei a vida inteira aperfeiçoando, começa a desmoronar centímetro por centímetro.
Seguro sua cintura e a puxo para junto de mim, inclinando a cabeça até nossas bocas ficarem próximas demais.
Ela umedece os lábios, e isso acaba de vez com o que resta do meu autocontrole.
Minha mão sobe até sua nuca, e eu a beijo devagar, sem pressa.
Amy corresponde no mesmo instante, enquanto seus dedos se agarram à minha gravata.
Quando nos afastamos por um segundo para respirar, encosto minha testa na dela e permaneço de olhos fechados por mais alguns instantes.
Minha vontade é ficar exatamente onde estou. Mas existe um incêndio acontecendo do lado de fora desta sala.
Abro os olhos devagar e levo a mão até seu rosto, afastando uma mecha de cabelo para trás da orelha.
— Me desculpa. Pela forma como falei com você.
Ela abre os olhos, franzindo a testa.
— Eu não deveria ter feito você sentir que estava sendo culpada por algo que não fez — continuo, em voz baixa. — Sei que você não me deu motivo para duvidar. O problema nunca foi você.
Os ombros dela relaxam quase imperceptivelmente.
Passo o polegar de leve por sua bochecha.
— E agora? — pergunta, quase num sussurro.
Desvio os olhos para o celular sobre a mesa, já imaginando o caos que me espera.
Solto um suspiro pesado antes de voltar a encará-la.
— Agora você volta para a sua mesa — respondo, dando um beijo rápido em seus lábios. — E eu vou resolver isso.
Amy me encara por um instante. Depois, solta minha gravata e dá um passo para trás. Mas, antes de abrir a porta, volta a me olhar.
— Não brigue com ninguém por minha causa.
Sorrio de leve.
— Não posso prometer isso.
Ela revira os olhos.
— Dante…
— Vou resolver isso da forma que deve ser resolvido.
Amy me observa por mais alguns segundos, como se tentasse decidir se acredita ou não em mim.
No fim, apenas assente, abre a porta e sai da sala.
Espero alguns segundos antes de respirar fundo e voltar a me sentar.
Pego o telefone e aperto o ramal da assessoria de imprensa.
— Quero uma atualização — digo, sem rodeios.
— Já localizamos a origem da publicação. Foi um portal de entretenimento. Nossa equipe jurídica já está preparando a notificação para retirada da matéria e das imagens.
— Quanto tempo?
— Estamos trabalhando para sair do ar ainda hoje.
— Não foi isso que perguntei.

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