“Dante Ferretti”
Leio a terceira cláusula do contrato da nova subsidiária quando a notificação chega.
“Departamento de Relações Públicas. URGENTE.”
Abro o e-mail e levo menos de três segundos para entender o que estou vendo.
Amy.
Christopher.
O braço dele na cintura dela.
As mãos dela no braço dele.
Os dois próximos o suficiente para alimentar qualquer manchete.
Permaneço por alguns segundos, sentindo a raiva percorrer cada parte do meu corpo.
Aperto os punhos sobre os braços da cadeira até sentir os nós dos dedos doerem.
Merda.
Pego o telefone e disco o ramal do jurídico, que atende no primeiro toque.
— Localize imediatamente o responsável por essa publicação. Quero saber de onde saiu essa fotografia e quem autorizou o uso da imagem da minha esposa.
— Sim, Sr. Ferretti. Vamos fazer isso agora mes…
Desligo antes mesmo que ela termine a resposta. Largo o telefone sobre a mesa e me levanto antes mesmo de perceber.
Abro a porta da sala e, no mesmo instante, encontro Paige ao lado da mesa de Amy, mostrando o celular para ela.
— Sra. Ferretti. Na minha sala.
O escritório inteiro parece prender a respiração diante do meu tom, mas não me importo.
Viro as costas sem esperar resposta e volto para dentro da sala. Amy aparece poucos segundos depois, fechando a porta devagar.
Ativo o sistema, me encosto na mesa, de braços cruzados, e espero.
Amy para no meio da sala, olha para o vidro escuro e depois me encara.
— Antes que você diga qualquer coisa…
— Eu ainda não disse nada.
— Não, mas sua cara diz tudo.
Permaneço em silêncio.
Ela solta o ar pelo nariz, claramente irritada.
— Foi um tropeço, Dante. Eu estava distraída, meu salto prendeu entre as pedras da calçada e o Chris me segurou antes que eu caísse.
Continuo olhando para ela por alguns segundos.
Eu acredito nela. Não houve um único instante em que duvidei dela.
Mas isso não muda absolutamente nada.
— Eu acredito em você.
Ela pisca, surpresa.
— Acredita?
— Sim. Acredito em você.
— Então, qual é o problema?
Solto uma risada sem humor.
— O problema é que você e eu sabemos a verdade.
Aponto para o celular sobre a mesa.
— Mas você acha mesmo que a mídia quer saber da verdade?
O silêncio dura um segundo.
— A mídia quer mais é que a verdade se foda para poder lucrar em cima daquilo que essa foto parece mostrar, Amy.
Minha voz sobe pela primeira vez.
— Daqui a pouco isso já virou “novo diretor”, “caso”, “triângulo amoroso”, “casamento em crise”…
— E a culpa é minha?
— Eu não disse isso.

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