“Amy Ferretti”
Termino de calçar os saltos e me levanto, alisando a barra da calça antes de pegar a bolsa sobre a cama.
Caminho pelo corredor, ajustando o relógio no pulso, e entro na sala de estar.
Paro no mesmo instante.
Porque Dante, que geralmente, a essa hora, já está na empresa, ainda está aqui. Sentado na poltrona, com o celular na mão.
Ele levanta os olhos quando me ouve chegar.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, franzindo a testa.
— Não — responde, se levantando. — Vamos juntos hoje.
Pisco, confusa.
— Jake precisou resolver um problema pessoal e pediu folga durante a manhã.
Assinto em silêncio.
— Vamos?
Concordo com a cabeça e sigo ao lado dele até o elevador.
As portas se fecham, e o elevador começa a descer devagar.
O silêncio se instala entre nós.
— Qual é o seu filme favorito?
Viro o rosto tão rápido que quase torço o pescoço.
Dante está olhando para a frente, como se tivesse acabado de perguntar se vai chover.
— O quê?
— Seu filme favorito.
Fico em silêncio por um instante, quase procurando uma câmera escondida.
— Titanic — murmuro, por fim. — Mesmo achando que cabiam dois naquela madeira.
Ele assente uma única vez, devagar, como se estivesse registrando a informação.
— Por quê?
— Curiosidade.
Ele não explica mais nada, e eu também não pergunto.
É sempre assim que funciona entre a gente.
As portas do elevador se abrem na garagem, e sigo um passo atrás dele, ainda tentando processar o que acabou de acontecer.
É quando vejo o Rolls-Royce parado exatamente onde costuma ficar estacionado. Tenho quase certeza de que Jake está no banco do motorista.
Franzo as sobrancelhas, mas não pergunto nada.
Talvez ele ainda vá sair.
Dante abre a porta para mim, espera que eu coloque o cinto e só então entra no carro.
O trajeto começa em silêncio, o que é normal.
O que não é normal é quando ele quebra esse silêncio pela segunda vez em menos de dez minutos.
— Onde fica o Navy Pier exatamente?
Viro o rosto para ele.
— Você não sabe onde fica o Navy Pier?
— Sei onde fica — responde, olhando para mim por um segundo. — Quero saber o que tem lá que faz você querer mostrar aquele lugar para alguém.
Fico em silêncio por um momento.
Então, sem conseguir evitar, sorrio.
— Você está me entrevistando?
— Responda à pergunta, Amy.
Rio pelo nariz, balançando a cabeça.
— É bonito, principalmente no fim da tarde. O lago fica de um laranja que não parece real, e a roda-gigante ilumina tudo quando a noite começa.
Ele assente, voltando ao silêncio.
— E você? — pergunto, sem pensar muito. — Tem algum lugar em Milão de que goste assim?
Dante mantém os olhos na rua por alguns segundos antes de responder.
— O Duomo — diz, após uma breve pausa. — De manhã cedo, antes de os turistas chegarem. Quando ainda dá para ouvir a cidade acordando.
Fico olhando para ele por alguns segundos, surpresa por ele ter respondido sem hesitar.
Sem me dar uma resposta curta e encerrar o assunto.
— Você vai sempre lá?

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