O corredor inteiro parece desaparecer por alguns segundos.
Dante mantém os olhos fixos nos meus por tempo suficiente para fazer meu coração acelerar novamente.
Então, ele cerra o maxilar e volta a andar como se nada tivesse acontecido.
Paige espera até que ele se afaste o suficiente. Depois, se inclina levemente na minha direção.
— Será que ele ouviu? — sussurra, com as sobrancelhas arqueadas.
Mordo o lábio, encarando as costas dele. Depois, balanço a cabeça.
— Vamos trabalhar, Paige — respondo, encerrando o assunto. — Nos vemos no almoço.
Me afasto antes que ela possa falar e caminho até a minha mesa. Penduro a bolsa na cadeira e, antes mesmo de me sentar, olho por instinto para a sala de Dante.
Ele já está sentado à mesa, com os olhos fixos nos documentos à sua frente e a xícara na mão.
Tudo perfeitamente normal.
Solto o ar devagar.
— Talvez eu esteja exagerando — murmuro, finalmente me sentando. — Talvez ele nem tenha ouvido nada.
Tento me convencer disso enquanto ligo o computador para começar a trabalhar.
Os primeiros minutos passam devagar.
Respondo a uma solicitação do financeiro, organizo alguns documentos e atualizo uma planilha que já estava praticamente pronta.
Mas minha atenção insiste em escapar para a sala de Dante.
Ele não olha para mim uma única vez.
Respiro fundo e começo a revisar um contrato que Natalie enviou.
Quando termino, noto uma observação na última página.
“Entregar ao Sr. Ferretti para assinatura. Urgente.”
Meu coração dá um pulinho completamente desnecessário.
Perfeito.
Ou péssimo.
Depende do ponto de vista.
Imprimo o contrato, coloco dentro de uma pasta e me levanto. Depois, aliso a frente do blazer por puro nervosismo e atravesso o corredor.
Bato duas vezes na porta de vidro.
— Entre.
Empurro a porta, mas Dante não olha para mim. Apenas continua lendo o documento à sua frente até terminar a página.
Só então levanta os olhos e me encara.
— O que precisa, Sra. Ferretti? — pergunta, completamente formal.
Me aproximo da mesa e estendo a pasta.
— A Srta. Turner pediu para entregar isso. Precisa da sua assinatura.
Ele pega os papéis, passa os olhos rapidamente pelo conteúdo e assina sem fazer perguntas.
— Mais alguma coisa?
— Não.
Ele fecha a pasta e a empurra de volta para mim.
— Pode devolver para ela.
Assinto e pego os documentos.
Dou um passo em direção à porta, mas, em vez de sair, paro e respiro fundo.
Depois, volto a encará-lo.
— Dante? — chamo baixinho, segurando a pasta contra o peito.
Ele se recosta na cadeira e espera.
— Você… ouviu a minha conversa com a Paige?
Dante não responde imediatamente. Apenas continua me encarando, completamente imóvel.

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