“Dante Ferretti”
É curioso.
Passei anos aprendendo a ler pessoas.
Investidores.
Concorrentes.
Jornalistas.
Bastavam alguns minutos para entender quem estava mentindo, quem queria alguma coisa e quem representava um risco.
Mas continuo sem entender por que Amy consegue conversar durante meia hora com Victor sem parar de sorrir.
Porque, quando estamos sozinhos, às vezes ela mal diz duas frases antes de se calar.
Ela ri de algum comentário dele do outro lado da mesa.
Quando Victor responde com outra piada, ela balança a cabeça, rindo ainda mais.
Tudo parece leve com ele.
Com Christopher também.
Já comigo… ela sempre pensa antes de falar. Como se cada palavra pudesse ter consequências.
Chega.
Está tarde demais para eu continuar sentado aqui enquanto os dois falam sobre o Navy Pier como se fosse o assunto mais interessante do mundo.
Empurro o prato vazio alguns centímetros para a frente. Depois pego o guardanapo, limpo a boca com calma e o coloco ao lado do prato.
— Victor — digo, interrompendo a conversa. — Precisamos trabalhar.
Ele finalmente para de falar e me encara.
Victor me conhece há tempo suficiente para entender que não estou falando apenas de trabalho.
Mesmo assim, sorri.
— Sério? — pergunta, apoiando um braço na mesa. — Justo agora que a Amy ia me contar onde fica o melhor lugar para ver o pôr do sol no Navy Pier.
Ele olha para ela, que desvia os olhos para mim.
Então, Amy sorri de lado, como se tivesse entendido perfeitamente o que acabei de fazer.
— Tudo bem, pode ir, Victor — diz, voltando a encará-lo. — Amanhã a gente conversa melhor na empresa.
— Vou cobrar, hein. Quero esse roteiro completo.
— Fechado — ela responde, sorrindo.
Victor pega o paletó no encosto da cadeira e o veste sem pressa. Ao passar por ela, inclina a cabeça em despedida.
— Boa noite, Amy.
— Boa noite, Victor.
Me levanto, e ele segue meus passos em silêncio.
Enquanto Victor fecha a porta, vou até o aparador no canto da sala e pego a garrafa de whisky.
— Zurique, Victor — digo, enquanto sirvo duas doses.
Entrego um dos copos a ele e me sento.
Victor aceita a bebida, gira o whisky por um instante antes de dar um gole e apoia o copo no braço da cadeira.
Depois, me encara em silêncio.
Silêncio demais.
Conheço esse olhar.
— O quê? — pergunto, por fim.
— Você parece irritado.
Solto uma risada sem humor.
— Estou cansado.
— Não. Eu sei quando você está cansado. Você está incomodado.
Levo o copo aos lábios sem responder.
Victor espera em silêncio.
Ao longo dos anos, ele aprendeu que insistir comigo não funciona.
O silêncio, sim.
— Estou esperando você falar de Zurique, Victor.
— E eu estou esperando você falar o que aconteceu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex