O homem está sentado no meu sofá como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Gravata afrouxada, uma xícara de café na mão e os pés cruzados sobre a mesa de centro, com uma liberdade que Dante não permitiria a qualquer um.
Eu o reconheço no mesmo instante.
Victor.
— Boa noite, Amy — ele me cumprimenta, endireitando a postura enquanto sorri educadamente.
— Boa noite… Victor.
— Quanto tempo, não?
Seu olhar desce por um segundo até minha barriga, que começa a se destacar sob a blusa de alças finas, e o sorriso aumenta.
— Vejo que os herdeiros Ferretti já estão começando a se mostrar para o mundo.
Passo a mão pela barriga por instinto, sem perceber.
— Estão, sim — murmuro, sorrindo um pouco. — Muito mais rápido do que eu esperava.
— Gêmeos não têm paciência. Na verdade, Ferretti nenhum tem.
Solto uma risada baixa, e ele ri também, levando a xícara aos lábios.
Olho ao redor da sala antes de voltar a encará-lo.
— Desculpa a pergunta… mas o que você está fazendo aqui?
— Trabalho. Cheguei de Zurique, e Dante me pediu para vir para cá. Ele já está a caminho. Espero não ter assustado você.
— Assustou um pouco — admito, me sentando na poltrona. — Não esperava encontrar ninguém.
— Imagino — responde, rindo baixo. — Mas prometo que sou inofensivo.
O silêncio dura apenas alguns segundos.
Victor coloca a xícara sobre a mesa de centro e cruza uma perna sobre a outra.
— Então… como você está? Especialmente depois da revelação do final de semana.
— Estou bem — respondo, sincera. — Melhor do que imaginei que estaria.
— Bem que Dante disse que você é mais forte do que parece.
A frase me pega de surpresa.
— Quando ele disse isso?
— Quando me contou o que estava planejando para o evento e eu perguntei se você aguentaria tudo o que viria depois disso.
— Então ele… fala de mim?
Ele arqueia uma sobrancelha, como se a pergunta fosse óbvia.
— Amy, sou um dos poucos que sabem a verdade por trás desse casamento. É claro que ele fala de você.
Assinto em silêncio. Porque não era exatamente isso que eu queria perguntar.
Eu queria saber se ele sempre fala de mim.
Victor sorri de lado, como se finalmente entendesse a pergunta que eu não tive coragem de fazer.
— Ele fala — diz, simplesmente. — Mais do que imagina.
Permaneço em silêncio.
— Não do jeito que você está pensando — continua, apoiando os antebraços nos joelhos. — Dante não é exatamente um homem de longas conversas. Muito menos sentimental.
Solto uma risada baixa, assentindo.
— Mas ele fala de você nas decisões que toma.
— Como assim?
— Antes, quando Dante tomava uma decisão, ele perguntava apenas se era a escolha mais eficiente.
— E agora…
— Agora ele pergunta quem vai ser afetado por ela.

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