O biscoito para no meio do caminho antes de chegar à minha boca.
Dylan fecha a porta, segurando uma xícara de café, e para assim que me vê.
Ele olha para o pacote de biscoitos sobre a mesa, para o suco de uva e depois para minha barriga, que já começa a aparecer por baixo da blusa.
Um sorriso torto surge no canto da boca dele.
— Não imaginei que fosse te encontrar aqui.
Seguro o pacote com um pouco mais de força.
— Eu menos ainda.
Ele solta uma risada baixa e caminha até a máquina de café, como se estivéssemos tendo uma conversa perfeitamente normal.
Me preparo para levantar, mas ele levanta uma mão devagar, como quem se rende.
— Relaxa. Não vim arrumar confusão.
— Engraçado. Você sempre diz isso antes de arrumar.
Ele puxa uma cadeira e se senta, segurando a xícara com as duas mãos. Olha para o café por um momento antes de falar.
— Não vim te incomodar — começa, com uma voz diferente da que conheço. Mais baixa. — Só queria conversar.
— Não tenho nada para conversar com você, Dylan. Só quero terminar de comer meu…
— Só queria pedir desculpas — ele me interrompe rapidamente.
De repente, minhas palavras somem.
— Amy, sei que uma desculpa não apaga nada — continua, sem me olhar. — Mas queria que soubesse que… não me orgulho do que fiz.
Permaneço em silêncio, porque Dylan Whitmore pedindo desculpas é algo que merece pelo menos trinta segundos de análise antes de qualquer reação.
— Eu não acredito em você.
Nem me esforço para conter as palavras que escapam.
Ele solta o ar pelo nariz e assente devagar, como se já esperasse essa resposta.
— Eu também não acreditaria.
O silêncio volta a se instalar.
Dylan gira o copo de café entre as mãos antes de finalmente levantar os olhos para mim.
— Mas precisava tentar, porque agora você é a esposa do meu tio — continua, fazendo uma pausa curta. — Minha tia, tecnicamente.
A frase sai tão baixa, tão dolorida, que preciso morder o lábio para não rir.
— E não faz sentido continuarmos assim — completa. — Você vai estar na minha vida por muito tempo. Os filhos que você está esperando são meus primos. Não quero que cresçam no meio de uma guerra que não é culpa deles.
As palavras fazem sentido.
São razoáveis. Maduras, até.
E é exatamente isso que me incomoda.
Dylan raramente é maduro quando não quer algo em troca.
— O que você quer, Dylan?
— Acabei de dizer.
— Não. Você disse um monte de coisas bonitas. Perguntei o que você quer.
Por um instante, ele apenas me encara.
Depois, sorri.
É rápido. Tão rápido que qualquer outra pessoa talvez nem percebesse.
Mas eu percebo. Porque esse sorriso eu conheço.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex