“Amy Ferretti”
As portas do elevador se fecham e, finalmente, fico sozinha.
Encosto as costas na parede espelhada e solto o ar devagar.
Por alguns segundos, apenas observo meu reflexo enquanto o elevador desce.
E então, sem conseguir evitar, sorrio. Mas não um sorriso discreto.
É um sorriso ridículo, de quem acabou de assistir Dante Ferretti perder o controle por causa de um abraço.
“Esses sorrisos são só meus, Amy.”
Mordo o lábio, tentando conter o sorriso, mas não funciona.
Porque é difícil não achar graça quando o homem mais controlado que já conheci quase teve um treco ao me ver abraçando outro homem.
E ainda tentou chamar tudo de irritação profissional.
— Se isso não é ciúme, o que é? — murmuro, observando os números diminuírem.
E, de repente… a pergunta faz meu sorriso diminuir.
Porque ciúme significa sentimento.
E sentimento é uma palavra grande demais para um homem que sempre faz questão de me lembrar de que há um contrato entre nós.
Encaro meu reflexo e balanço a cabeça.
Talvez isso realmente não seja ciúme.
Talvez seja só uma forma de marcar território. O instinto do macho alfa que não quer, mas também não deixa ninguém chegar perto.
As portas do elevador se abrem antes que eu chegue a uma conclusão.
O que provavelmente é melhor assim.
O setor de RH fica no quinto andar e é silencioso a ponto de dar sono em qualquer um.
A recepcionista sorri assim que me vê.
— Boa tarde, Sra. Ferretti. A Srta. Turner avisou que você viria.
— Boa tarde.
Ela solicita meu crachá antigo, confere alguns dados no sistema e faz um gesto em direção a uma cadeira.
— Pode se sentar. Vai levar só alguns minutos.
Assinto e me sento.
Pego o celular para passar o tempo, mas nem chego a desbloquear a tela.
— Você viu as notícias? — comenta uma voz baixa do outro lado da divisória.
— Vi. Ainda não acredito.
Reconheço o assunto antes mesmo de ouvir meu nome.
— Quem diria, né? Uma simples assistente se casar com um homem tão poderoso.
— Ela deve ter planejado tudo, sabia? Ele não cairia assim do nada.
— Óbvio. Ou vai dizer que você acredita mesmo nessa história de romance?
A outra dá uma risadinha.
— Eu? Nem um pouco.
— Alguma coisa ela fez. Homem como aquele não olha para uma assistente do nada.
Meu estômago revira, mas continuo olhando para a tela do celular, sem piscar.
— Óbvio que fez. Soube que ela está grávida.
Uma pausa.
Depois, a frase que faz meu maxilar travar.
— Com certeza foi o clássico golpe da barriga.
A outra concorda com um murmúrio.
— E funcionou perfeitamente. Porque, convenhamos… olha quem ele é.
Respiro fundo.
Uma parte de mim me manda levantar e ir embora.
Outra, me manda fingir que não ouvi.
Nenhuma das duas vence, porque outra voz surge.

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