Dante me olha por dois segundos que parecem muito mais longos do que realmente são.
Depois, desvia os olhos para Chris com uma expressão impossível de decifrar.
— Aproveite — diz, seco, antes de seguir pelo corredor sem diminuir o passo.
Chris acompanha Dante com o olhar até ele desaparecer na curva do corredor. Depois, me encara.
— Esse seu marido é edição especial mesmo — murmura, rindo baixo.
— Cala a boca e entra logo nesse elevador.
Christopher ri, levantando as mãos em rendição enquanto as portas se abrem.
— Tudo bem, tudo bem. Não vou comentar sobre o homem que provavelmente consegue demitir alguém só com um olhar.
Entro no elevador e aperto o botão do térreo, tentando ignorar a sensação estranha no meu peito.
Porque o problema não é Dante ter ficado estranho desde que me viu com Christopher.
O problema é que eu percebi essa mudança.
E, pior: uma parte de mim gostou.
Quando chegamos ao restaurante no térreo da empresa, escolhemos uma mesa mais afastada. Pedimos nossa comida e, em questão de segundos…
— Então — ele começa, assim que o garçom se afasta com o pedido. — Dante Ferretti.
— Você já disse isso umas três vezes.
— Porque ainda estou tentando acreditar, Amyzinha.
O apelido me faz sorrir sem querer. Faz anos que ninguém me chama assim.
Chris se inclina para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
— Então, muitas coisas mudaram depois que eu fui embora de Chicago.
— Algumas.
— Algumas?
Ergo uma sobrancelha.
— Chris, você saiu para estudar no MIT e praticamente virou um fantasma.
— Justo.
Ele ri baixo, passando a mão pelo cabelo.
— Mas, em minha defesa, eu estava ocupado tentando não reprovar.
— Não acredito que essa era uma possibilidade. Você era o garoto mais nerd que conheci.
— Você ainda se lembra disso?
Desvio o olhar por um segundo, pegando o copo de água.
— Lembro de algumas coisas.
Porque lembro de muitas.
Lembro dele me ensinando quando eu fingia não entender uma matéria só para ter uma desculpa para passar mais tempo na casa dele.
Lembro de como corria todas as tardes para a casa da Ashley só para vê-lo chegar da escola.
E lembro de ter uma paixonite ridícula por ele.
Sim.
Eu era apaixonada pelo irmão da minha melhor amiga.
Algo que nunca chegou a ser nada além disso, porque ele tinha dezenove anos e eu tinha catorze.
Por isso, ele sempre foi só o irmão mais velho da Ashley.
Meu vizinho.
Meu primeiro crush impossível.
— Você está sorrindo — ele comenta, me tirando dos pensamentos.
Volto a atenção para ele e percebo que estou mesmo.
— Estou lembrando de algumas coisas.
— Coisas boas, espero.
— Algumas vergonhosas.
Ele ri.
— Agora quero saber.
— Nem pensar.
— Amy…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex