Dante não desvia o olhar de mim um segundo sequer. O maxilar dele está visivelmente tensionado.
Não é algo que qualquer pessoa na sala perceberia.
Por exemplo, para os outros dois homens à mesa, provavelmente ele continua exatamente igual: controlado, atento, profissional.
Mas eu percebo a mudança.
— Faz anos que não te vejo — Chris diz, completamente alheio à tensão. — O que você está fazendo aqui?
Abro a boca para responder, mas Dante fala primeiro.
— Teremos bastante tempo para colocar a conversa em dia depois da reunião.
A voz dele sai calma.
Calma demais.
— Agora, se não se importam…
Dante entrelaça os dedos sobre a mesa, me observando por mais dois segundos antes de voltar os olhos para Chris, que endireita a gravata, finalmente se lembrando de onde estamos.
— Dante Ferretti — diz, estendendo a mão. — Bem-vindo à Whitmore.
— Christopher Wilde. É um prazer conhecê-lo, Sr. Ferretti.
Chris aperta a mão dele com um sorriso fácil, alheio ao que acabou de acontecer.
— Desculpa o atraso. O trânsito aqui estava péssimo.
— Sem problema — Dante responde, num tom que deixa claro que há, sim, um problema.
Só que não é o trânsito.
Me sento discretamente no canto e organizo os materiais sobre a mesa, sem olhar para nenhum dos dois.
Finalmente, a reunião começa.
Dante conduz com a desenvoltura de sempre: objetivo, direto, sem espaço para divagações.
Chris acompanha bem, fazendo algumas observações e respondendo às perguntas com segurança, demonstrando que sabe exatamente do que está falando.
Do meu canto, anoto o que precisa ser anotado e finjo não perceber cada vez que o olhar de Dante vem na minha direção.
Porque vem.
Mais vezes do que deveria, para alguém que está conduzindo uma reunião.
E sempre mais sério do que o normal.
Quando encerra, uma hora depois, os outros dois homens saem primeiro.
Chris começa a organizar os papéis, enquanto Dante se levanta, abotoando o paletó com aquela calma que agora sei que não é calma nenhuma.
— Sr. Wilde, a Srta. Turner vai te orientar sobre os próximos passos da sua integração.
— Obrigado, Sr. Ferretti.
Christopher se levanta e coloca a pasta debaixo do braço, olhando para mim.
— Mas imagino que a Srta. Donovan também possa me ajudar com qualquer dúvida que eu tenha sobre como as coisas funcionam por aqui.
Dante não responde. Apenas desce o olhar para o crachá preso ao meu blazer e estreita os olhos quase imperceptivelmente.
— Tenho certeza de que a Srta. Donovan deixará algumas coisas claras para você.
Ele volta a me encarar por dois segundos a mais do que deveria.
— Incluindo sobre minha falta de tolerância a atrasos e distrações.
Sem esperar uma resposta, Dante se vira e sai da sala.
Chris olha para mim, depois para a porta fechada e, em seguida, volta a me encarar.
— Ele é assim com todo mundo ou fui presenteado com uma edição especial?
Solto uma risada antes de conseguir me segurar.
— É assim com todo mundo — respondo, me levantando. — Vem, preciso te mostrar algumas coisas no sistema.
Ele assente e abre a porta, me dando passagem.

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