O trânsito da manhã de segunda-feira é caótico como sempre, mas minha cabeça está em uma velocidade completamente diferente.
Fecho os olhos por um segundo e respiro fundo.
Parece que vivi meses inteiros comprimidos em um fim de semana.
Dante Ferretti é, sem dúvida, a pessoa mais contraditória que já encontrei na vida.
E o problema é que estou começando a achar isso cada vez menos irritante.
O carro para em frente ao prédio da empresa, e Jake abre a porta antes que eu consiga processar que já chegamos.
— Obrigada, Jake.
Ele assente, sorrindo, e eu entro no prédio.
O saguão está exatamente igual, mas alguma coisa está diferente.
Percebo no instante em que os olhares me acompanham e algumas conversas cessam quando passo.
Não é a primeira vez que entro nesse prédio sentindo isso. Mas, desta vez, é diferente, porque não é por causa dos rumores que Dylan espalhou.
Entro no elevador e, quando as portas se fecham, vejo meu reflexo na parede espelhada.
Agora, tudo isso se deve a uma única coisa: Amy Ferretti.
Quando chego à minha mesa, Dante já está na sala dele, concentrado nos papéis à frente enquanto gira lentamente a caneta entre os dedos.
Sorrio antes mesmo de perceber que estou sorrindo.
Quando noto, desvio o olhar rapidamente e finjo estar ocupada demais ligando o computador.
Por alguns minutos, consigo começar meu dia de maneira tranquila. Mas basta ouvir o som da porta se abrir para que minha concentração desapareça.
Levanto os olhos no exato momento em que Dante fecha a porta. Nossos olhares se encontram, ele para por meio segundo… e sorri.
É um sorriso pequeno, quase imperceptível.
Mas é o suficiente para fazer meu coração bater de um jeito diferente.
Depois, ele apenas acena com a cabeça e segue pelo corredor como se nada tivesse acontecido.
Como se não tivesse me deixado para trás, sorrindo como uma boba para a tela do computador.
— Você está vermelha.
Paige aparece do nada, se sentando na borda da minha mesa com uma xícara de café nas mãos.
— Não estou — murmuro, levantando o rosto para encará-la.
— Está sim. Visivelmente.
— Paige, para…
— Tudo bem.
Ela levanta as mãos em rendição, mas o sorriso não desaparece.
— Vim te dizer que você voltou a ser o nome mais falado da empresa. E ainda é manhã.
— Pelo menos agora estão falando com razão.
Ela ri, concordando com a cabeça.
Fico olhando para ela por um instante.
Algo está errado. Ou melhor, algo está faltando.
Paige é a pessoa que me encheu de perguntas quando Dylan me confrontou no corredor. Quem sabe de pelo menos metade das minhas crises existenciais das últimas semanas.
E agora chega aqui brincando, sem me fazer nenhuma pergunta sobre o evento, como eu esperava que fizesse.
Estreito os olhos.

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