“Amy Ferretti”
“Nem tive depois que você entrou na minha vida.”
A frase continua girando na minha cabeça, e não consigo decidir se alivia ou complica tudo.
Porque “depois” pressupõe um “antes”. E o “antes” tem nome, rosto e usa um perfume enjoativo.
Talvez eu esteja sendo injusta. Talvez esteja procurando problemas onde eles já deixaram de existir.
Mas não consigo simplesmente apertar um botão e fingir que tudo o que senti desde sexta-feira desapareceu porque Dante disse algumas palavras.
Quero acreditar nele, e acho que esse é justamente o problema.
Quero. Muito.
Olho para o rosto dele outra vez.
Dante continua exatamente onde estava. Perto o suficiente para que eu consiga sentir o perfume dele. Longe o bastante para não me tocar.
— Amy — ele chama, baixo.
— Eu ouvi — respondo, suspirando. — E acredito que você esteja sendo sincero.
Ele assente, e seu maxilar finalmente relaxa um pouco.
Ficamos em silêncio por um momento.
Essa deveria ser a hora de terminar de beber minha água e sair. Me afastar antes que eu pareça mais patética do que já estou sendo.
Mas ainda há algo que continua preso na minha garganta. Algo que preciso ouvir da boca dele para ver se, assim, minha mente para de criar mil cenários.
Passo os dedos pela borda do copo.
— Posso fazer uma pergunta? — murmuro, levantando o rosto lentamente para encará-lo.
Dante assente sem hesitar.
— Você pode perguntar qualquer coisa, Amy. Nunca te impedi disso.
Seguro o copo com as duas mãos por um instante, reunindo coragem.
— Você e a Valentina… Já aconteceu alguma coisa entre vocês?
Ele não desvia o olhar, nem tenta ganhar tempo. Só responde.
— Sim.
Engulo em seco, sentindo meu estômago apertar.
Por mais que eu já imaginasse, ouvir isso em voz alta é diferente.
— Nunca tivemos um relacionamento. Nunca namoramos — ele continua, sério. — Nós nos envolvemos algumas vezes. Só isso.
— Só isso — repito, baixo.
— Sim. Ficávamos de vez em quando. Nada sério. Sem planos, sem promessas, sem compromissos.
Ele sustenta meu olhar o tempo todo.
— Depois, tive que voltar para Chicago. Ela continuou em Milão, e cada um seguiu sua vida.
— Então nunca teve… uma conversa sobre “isso não acontecerá mais”?
— Nunca achei que precisasse existir uma conversa encerrando algo que, na prática, nunca existiu de verdade.
As palavras fazem sentido, mas, ao mesmo tempo…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contrato Proibido Com o Tio do Meu Ex