“Amy Ferretti”
Já perdi a conta de quanto tempo estamos na cama. De quantas vezes fui ao céu e voltei, mas sei que foi mais do que a primeira vez.
Meu corpo ainda treme, sensível demais, quando sinto minha pele arrepiar pela terceira vez. O orgasmo me rasga por dentro, mais forte, mais longo, quase demais para suportar.
A gravidez parece ter deixado tudo bem mais intenso, mais fácil de chegar ao limite. E ele parece ter descoberto isso rápido.
— Dante… — a voz sai quebrada, sem querer.
Ele não responde. Apenas me segura com força pelo quadril, aumenta o ritmo e solta um gemido rouco, gozando pela segunda vez.
Quando finalmente desabamos na cama, estou ofegante, exausta e completamente mole.
Dante cai por cima de mim, e nossas respirações se misturam, rápidas e irregulares. Ele ainda está dentro de mim, latejando devagar, como se não quisesse sair nunca.
Fico imóvel por um momento, sem saber o que fazer.
A primeira vez que transamos foi urgente, quase desesperada. E agora também foi intenso, demorado, mas de um jeito diferente.
Porque, desta vez, foi como se ele quisesse compensar cada dia de tensão que passamos desde então.
E eu deixei. Mais do que deixei… eu quis.
Dante respira fundo e levanta o rosto, me olhando. Seus olhos ainda estão escuros, o cabelo bagunçado, a pele brilhando de suor.
De todas as versões que conheço, a que mais parece absurdamente irresistível é essa, assim, dele desfeito de prazer.
Por um segundo, ele só me observa, como se buscasse algo.
— Se arrependeu? — pergunta, afastando uma mecha do meu cabelo.
Balanço a cabeça, sem nem precisar pensar.
— Nem por um segundo.
Ele assente e sai devagar de dentro de mim, deitando de costas ao meu lado.
O peito dele sobe e desce, pesado. Os braços, que segundos atrás me seguravam com força, agora repousam sobre o colchão.
Encaro o teto, com o coração ainda acelerado, tentando organizar algum pensamento coerente. Mas minha cabeça não colabora.
“Foda-se o contrato.” As palavras dele voltam sem avisar.
Mordo o lábio.
Nós dois sabemos que o contrato continua existindo. Que amanhã o mundo lá fora voltará com todas as suas implicações.
Mas agora, deitada aqui, com o corpo inteiro pesado e a cabeça vazia de defesas, não consigo me importar com nada disso.
Viro o rosto na direção dele.
Dante está olhando para o teto também, com aquela expressão indecifrável.
Abro a boca, mas logo a fecho.
O que eu diria, afinal? Obrigada? Isso não muda nada? Muda tudo?
Antes que eu decida, Dante se levanta da cama devagar. Totalmente nu, sem vergonha nenhuma.
Ele estende a mão para mim.
— Vem.
— Pra onde? — pergunto, sentindo a voz sair rouca e fraca.

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