Um sommelier aparece antes que eu possa responder. Dante pede um vinho, eu peço água com gás e logo estamos sozinhos novamente.
— Agora — ele continua —, me conta o que aconteceu enquanto eu estive fora.
— Achei que você já soubesse.
— Sei dos fatos. Quero saber como você ficou.
A resposta me desarma por um segundo, porque essa não é uma fala que eu esperava dele.
Pego o cardápio sem saber como responder sem parecer patética.
— Você devia ter me avisado sobre o Dylan, Amy.
Levanto os olhos do cardápio.
— Você estava ocupado em Milão.
— E ainda assim teria encontrado tempo para lidar com isso.
— Não precisava que você lidasse. Eu mesma lidei.
— Como? Ficando em silêncio enquanto ele espalhava versões inventadas da sua vida por todo o andar?
Deixo o cardápio de lado e cruzo os braços sobre a mesa.
— O que você queria que eu fizesse? Desse um show na frente de todo mundo sem ter provas de que foi ele? Eu não sou idiota, Dante.
— Nunca disse que era.
O silêncio dura alguns segundos. Então, ele apoia a taça sobre a mesa.
— Justamente por isso estou perguntando por que você escolheu enfrentar isso sozinha.
Engulo em seco.
— Porque era um problema meu.
— Você é minha mulher, Amy. É meu problema também.
A frase é simples, direta. E por isso mesmo me desarma mais do que qualquer discurso longo.
Desvio o olhar por um instante.
— O que você quer que eu faça com a situação da Natalie? — ele continua, arqueando a sobrancelha.
— Não precisa fazer nada. Pelo menos isso vai abafar as fofocas sobre mim até desaparecer sozinho.
— Ou vai continuar crescendo até virar um problema que eu não consigo controlar.
Solto o ar pelo nariz e me recosto na cadeira.
— O que você quer fazer, então? Anunciar que sou sua esposa amanhã, durante o expediente?
— Se você quiser isso, por que não?
Arqueio as sobrancelhas, surpresa.
— Mas, de acordo com o seu plano de vingança, não acho que seja assim que você imaginou.
— Não. Não é.
Dante pega a taça novamente, mas não bebe. Apenas gira o vidro entre os dedos, sem desviar os olhos de mim.
— Certo. Mas saiba que não pretendo continuar assistindo a isso por muito tempo.
— Eu sei, Dante. Até porque, em breve, minha barriga vai crescer e isso vai se tornar impossível de esconder. Só… quero que seja no momento certo. Quando Dylan achar que está no topo do mundo.
Ele leva a taça aos lábios e dá um gole lento. Depois assente.
— Vou providenciar isso para você.
— Como? — pergunto, franzindo as sobrancelhas.

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