Os cochichos continuam se espalhando pela copa enquanto Natalie encara todos em silêncio.
Só então ela solta uma risada baixa e balança a cabeça.
— Quanta imaginação, pessoal.
É tudo o que diz.
Sem negar, sem corrigir. Sem fazer absolutamente nada para desfazer a impressão que a própria reação acabou de criar.
— Isso vai render assunto por semanas — Paige sussurra, revirando os olhos.
— E vai mesmo. Ela nem sequer negou.
Ela se inclina na minha direção.
— Que tal aproveitarmos a distração para irmos embora?
Deixo o copo descartável sobre a mesa mais próxima tão rápido que ele quase cai no chão.
— Vamos.
Saímos da copa sem pressa o suficiente para não chamar atenção, mas rápidas o bastante para ninguém nos impedir.
Quando chegamos ao corredor, Paige solta um suspiro longo e dramático.
— Sobrevivemos.
— Por pouco.
Ela ri enquanto entramos no elevador, ainda comentando sobre o aniversário.
Quando o elevador para na garagem, nos despedimos.
Cumprimento Jake, entro no carro e me acomodo no banco traseiro.
Enquanto ele dirige em silêncio, fico olhando pela janela, vendo as luzes de Chicago passarem, tentando não pensar no dia de hoje.
Quando o carro para em frente ao edifício, Jake abre a porta e desço devagar.
— Boa noite, Jake.
— Boa noite, Amy.
O elevador sobe em silêncio.
Me encosto na parede espelhada e fecho os olhos por alguns segundos.
Estou cansada.
Não do trabalho, porque dos relatórios eu dou conta.
Estou cansada desses últimos dias sozinha, aguentando fofocas que, em vez de desaparecerem, parecem ganhar força a cada dia.
Cansada de ver metade da empresa acreditar em uma mentira simplesmente porque é mais conveniente.
Natalie ter sido apontada como esposa de Dante é a prova mais recente disso.
Quando as portas do elevador se abrem, entro na cobertura já tirando os sapatos com os pés antes mesmo de elas se fecharem outra vez.
Mas, assim que chego à sala, meu corpo inteiro trava.
Dante está sentado no sofá, com as mangas da camisa dobradas até os cotovelos e o notebook apoiado no colo.
Ele levanta os olhos quando me aproximo e me encara como se eu fosse exatamente quem esperava encontrar.
— Você voltou — digo, sem conseguir evitar o óbvio.
— Voltei.
Ele não se levanta. Continua apenas me observando com aquela expressão que nunca entrega o que está pensando.
Largo a bolsa na cadeira mais próxima e cruzo os braços.
— Quando?
— Há algumas horas.
— E não avisou porque…
— Achei que você preferisse terminar o expediente sem distrações.
Solto uma risada sem humor.
— Você manda mensagens de hora em hora me lembrando de fazer o básico, mas avisar que voltou parece distração demais?
Pela primeira vez desde que entrei, um sorriso ameaça surgir no rosto dele.

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