Hoje deveria ser mais um dia normal de trabalho.
O começo de uma semana.
A volta à rotina que eu tanto queria.
Na prática, me vejo revezando entre o relatório aberto à minha frente e a sala envidraçada do outro lado do corredor.
Ela continua vazia.
Dante ainda está em Milão.
Se não fossem os lembretes disfarçados de mensagens, eu poderia facilmente acreditar que ele simplesmente… sumiu.
Que aquela noite nunca aconteceu.
Que os elogios foram só minha imaginação.
Que o beijo e a mão dele na minha cintura não passaram de um devaneio.
O fim de semana foi entediante o suficiente para me fazer perceber que me acostumei mais com a presença dele do que deveria.
Não vou pensar nisso agora.
Abro outro relatório e começo a digitar.
— Muito ocupada?
Levanto o rosto e encontro Paige parada ao lado da minha mesa, segurando uma xícara de café e aquele sorriso de quem tem alguma coisa para contar.
— Acho que temos cinco minutos até a Natalie aparecer — respondo, rindo baixinho. — Nova fofoca sobre mim?
Paige também ri e balança a cabeça.
— Nenhuma novidade, por enquanto. Só queria te avisar que hoje, depois do expediente, todo mundo vai se reunir na copa.
— Por quê?
— Aniversário da Natalie.
Fico olhando para ela por um segundo.
— Posso fingir um desmaio?
— Não.
— Mesmo? Porque acho que consigo fingir uma torção no tornozelo de um jeito bem convincente.
— Eu faria exatamente a mesma coisa, se pudesse.
Ela faz uma careta exagerada.
— Mas aniversário de alguém da diretoria significa presença obrigatória. Todo mundo vai estar lá, sorrindo como se realmente quisesse estar.
— Que sonho.
— E você vai sorrir como todo mundo.
— Claro que vou — murmuro, voltando a atenção para a tela. — Com muito entusiasmo.
Paige abre a boca para responder quando ouvimos passos familiares.
Olhamos ao mesmo tempo e vemos Natalie caminhando pelo corredor, a alguns metros de distância, concentrada no tablet.
Ela nem chega a olhar para nós.
Ainda assim, é o suficiente para encerrarmos a conversa e voltarmos ao trabalho como se ela nunca tivesse acontecido.
Entre relatórios, pausas para beber água, um lanche rápido e olhares involuntários para a sala envidraçada, como se Dante pudesse aparecer ali por mágica, o expediente chega ao fim.
Até considero sair de fininho sem chamar atenção.
Mas, pontualmente às cinco da tarde, Natalie aparece batendo palmas, animada demais para uma segunda-feira.
— Pessoal, um minuto da atenção de vocês — diz, alto o suficiente para todo o andar ouvir.

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