“Amy Ferretti”
Aparentemente, ignorar pessoas é uma habilidade que estou desenvolvendo com rapidez.
Primeiro, Natalie. Depois, Juliet.
Sim, foi exatamente isso que fiz.
Não porque não entendi a intenção por trás da conversa. Só não estava disposta a dar a ela a reação que claramente queria.
Mas, infelizmente, com Juliet saindo da sala de Dante e vindo diretamente na minha direção, não tenho certeza de que vou conseguir ignorá-la duas vezes no mesmo dia.
— Amy — começa, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Acho que seria gentil da minha parte te dizer uma coisa.
Solto o ar devagar pelo nariz e espero.
— Procure uma vaga mais… compatível com você. Em outro lugar.
— Estou bem onde estou, obrigada.
— Tem certeza?
Juliet inclina a cabeça levemente.
— Porque não acho que uma jovem como você entenda muito bem como as coisas funcionam aqui dentro.
Ela faz uma pausa antes de continuar.
— Também acho que você não tem maturidade para ficar perto do meu filho, já que estamos nesse assunto. Você já demonstrou que não consegue tolerar o mínimo.
Mordo a bochecha com força, mas não desvio o olhar.
— Dylan errou, sim. Mas o que você fez naquela festa… foi desnecessário e embaraçoso para todos.
— Encontrei meu noivo com outra mulher na própria festa de noivado. Na minha festa de aniversário — rebato, no mesmo tom. — O que eu deveria ter feito? Fingido que não vi?
— Sim, porque homens cometem erros. Faz parte da natureza deles.
A frase me faz arquear as sobrancelhas, surpresa.
Por acaso voltamos algumas décadas no tempo e ninguém me avisou?
Encaro Juliet por um segundo. Depois assinto devagar.
— Obrigada pelo conselho, Sra. Whitmore. Mas, como eu disse, estou muito bem aqui.
Pego a caneta e volto a atenção para os documentos, encerrando a conversa.
Juliet permanece parada por mais alguns segundos, como se ainda esperasse alguma reação.
Por fim, ela coloca os óculos, ajeita a bolsa no braço e segue em direção ao elevador sem dizer mais nada.
Mantenho os olhos na tela até ouvir o som das portas se fechando.
Só então solto o ar devagar.
— Inacreditável — murmuro.
Alguns minutos depois, Paige aparece na minha mesa para me chamar para almoçar, e aceito sem pensar duas vezes.
Depois da manhã que tive, qualquer coisa que envolva comida e conversa parece uma excelente ideia.
O almoço passa rápido.
Entre histórias sobre os funcionários, comentários discretamente venenosos sobre Natalie e as tentativas nada discretas de Paige de descobrir por que Dante me deixa tão nervosa, consigo relaxar pela primeira vez desde que cheguei.
Quando voltamos para o escritório, a rotina recomeça.
O restante da tarde passa sem grandes incidentes, o que, nesse ponto, já considero uma vitória.

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