"Dante Ferretti"
Apoio a caneta sobre a mesa e levanto os olhos para o corredor por um segundo.
Amy continua de cabeça baixa, trabalhando como esteve a manhã inteira, acompanhando o ritmo absurdo que Natalie impôs.
Não reclama.
Não vem até mim.
E é exatamente o que eu esperava dela.
— Isso é algo que até um estagiário conseguiria resolver, Ricci — digo, voltando aos documentos. — Então, qual é a dificuldade?
— Seria fácil se o conselho não estivesse complicando tudo por achar que você simplesmente desapareceu para o outro lado do oceano.
— Tenho assuntos mais importantes para administrar no momento.
Novamente, desvio os olhos para Amy, que agora parece congelada, encarando a pessoa parada à sua frente.
Reconheço Juliet antes mesmo de ela tirar os óculos escuros.
Os cabelos loiros na altura do pescoço, a postura arrogante, o jeito específico de cruzar os braços, o mesmo do nosso pai.
— Posso pedir que…
— Faça seu trabalho — corto Ricci, me endireitando instintivamente. — Ou vou te substituir antes do fim da semana.
Encerro a ligação no mesmo momento em que Juliet se afasta da Amy e vem em direção à minha sala.
Ela entra sem bater, como sempre. E provavelmente nunca vai bater.
Na cabeça dela, tudo aqui dentro é dela. Herança do nosso pai. Algo que não me pertence, independentemente do que o testamento diga.
— É inacreditável — começa, fechando a porta. — A ex do Dylan está trabalhando aqui. Depois de tudo o que fez, da humilhação que causou ao meu filho na frente de todos os…
— O que você está fazendo aqui, Juliet?
Ela para diante de mim e guarda os óculos na bolsa.
— Vim ver como está o andamento da empresa. Que também é minha, diga-se de passagem.
— Sua participação é de doze por cento.
— Ainda assim, é suficiente para me dar o direito de aparecer sem convite.
Ela revira os olhos enquanto se senta e cruza as pernas.
— E isso também me dá o direito de pedir que essa garota seja demitida. Ela não merece estar aqui depois do que fez com Dylan.
— Pelo que soube, Dylan a traiu.
— Dylan cometeu um erro. Ele é homem e…
— Não vou demiti-la por capricho seu — corto, seco. — O que mais você quer?
Ela bufa, mas não rebate.
Quando se inclina um pouco para frente, mais controlada, já sei que chegamos à parte real da visita.
— Vim falar sobre o Dylan. Sobre o que você está fazendo com ele.
Apoio as costas na cadeira, cruzando os braços.
— O que estou fazendo com ele?
— Ele está sendo humilhado, Dante. Diminuído. Ocupando uma função que qualquer trainee poderia exercer.

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