Abro a boca para responder, mas desisto porque não há o que rebater.
Ela está certa. Técnica e estruturalmente.
No papel, sou uma assistente que chegou atrasada no segundo dia de trabalho.
Que, no primeiro, tentou entregar documentos diretamente ao CEO, ignorando a diretora responsável.
O fato de o CEO ser meu marido é um detalhe que não posso usar agora. Nem aqui, nem com ela.
Então mordo a bochecha e assinto uma vez.
— Entendido.
Natalie finalmente parece satisfeita.
— Então sugiro que comece imediatamente.
Sem esperar uma resposta, ela se vira e segue pelo corredor.
Fico parada por alguns segundos, observando-a desaparecer entre as divisórias do escritório. Depois solto o ar devagar.
— Anotado — murmuro para mim mesma. — Não bater na Natalie.
Me sento, puxo a pilha de relatórios para perto e começo a trabalhar sem olhar para ninguém.
Trinta e seis minutos para revisar trinta páginas.
— Tudo bem — murmuro, pegando a caneta. — Já fiz coisas piores em menos tempo.
Quando chego à página quinze, ouço a cadeira ao meu lado ser arrastada.
— Quanta concentração — Paige comenta, sentando ao meu lado e colocando um copo d'água na minha mesa.
— Preciso ter. A Srta. Turner me deu poucos minutos para revisar trinta páginas — respondo, sem tirar os olhos do relatório. — E ainda faltam quinze.
— Posso ajudar com a outra metade, se quiser.
Encaro a pilha restante, depois olho para ela.
— Por que faria isso?
Paige encolhe os ombros enquanto pega metade dos relatórios.
— Porque já passei por esse teste de correr contra o relógio. E, porque você claramente não fez nada de errado além de existir no radar dela.
Seguro uma risada.
Pego o restante dos relatórios e começamos a trabalhar em silêncio.
— Então, ela é assim com todo mundo? — pergunto, em voz baixa, sem olhar para cima.
— Com todo mundo que ela considera… concorrência. Ou ameaça. Depende do dia.
— Concorrência para quê?
Paige hesita por um instante, como se escolhesse as palavras com cuidado.
— Natalie tem um talento específico para se posicionar perto de quem tem poder aqui dentro.
Ela vira uma página sem pressa.
— Quando o Sr. Whitmore dirigia a empresa, era ele. Sempre com uma opinião pronta, sempre disponível, sempre no corredor certo na hora certa.
— E agora?
— Agora é o Sr. Ferretti. Só que, com ele, parece diferente. Mais… determinada.
Ela franze o cenho, como se ainda estivesse tentando definir o que vê.
— Com o Whitmore era nitidamente profissional. Com o Ferretti parece mais pessoal.
Continuo olhando para o relatório, mas o texto deixou de fazer sentido há alguns segundos.

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