Acordo me sentindo melhor.
Fisicamente, pelo menos. Porque mentalmente estou um desastre.
Passei metade da noite sonhando com Dante na minha cama e a outra metade irritada por ter sido só um sonho.
— Para — murmuro para mim mesma, afundando o rosto no travesseiro. — Foco.
Fico parada por um segundo, só existindo. Até lembrar que ainda é quinta-feira e que preciso ir trabalhar.
Tateio a mesinha de cabeceira, pego o celular e estreito os olhos para a tela.
7h31.
— Droga.
Me sento rápido demais e me arrependo quase na hora quando minha cabeça protesta. Respiro fundo, espero o enjoo passar e me levanto devagar.
Vou ao banheiro com um único objetivo: agir como uma adulta madura e perfeitamente racional.
Vou me vestir, tomar café da manhã.
Depois vou ignorar completamente a existência de Dante Ferretti.
O plano dura exatamente até eu sair do quarto. Quando passo pela sala de jantar, ele ainda está lá.
Sentado à mesa, terno escuro impecável, uma xícara ao lado e documentos abertos à sua frente.
Ele levanta os olhos quando entro.
— Você ainda está aqui — digo antes de conseguir me segurar.
— Tenho uma reunião às nove — ele responde, voltando aos papéis. — Sente-se. Elena já está trazendo o café da manhã.
— Já estou atrasada. Não tenho tempo de sentar.
— Eu sou seu chefe e estou mandando você sentar.
Suspiro e me sento ao lado dele.
Elena aparece quase imediatamente e começa a servir sem ninguém precisar pedir.
Em seguida, coloca uma xícara de chá de gengibre à minha frente com a naturalidade de quem já sabia exatamente o que fazer.
Olho para a xícara, depois para Dante, que continua lendo como se nada estivesse acontecendo.
— Gengibre ajuda com enjoo matinal — explica, sem levantar os olhos. — Você pode tomar. A Dra. Cadwell permitiu.
— Você… perguntou isso a ela?
— Alguém precisava.
Mordo a bochecha para não sorrir e pego a xícara.
Tomamos o café em silêncio.
Dante continua lendo, enquanto eu como devagar, mais atenta do que deveria.
Logo me pego reparando na maneira como ele toma um gole do café enquanto anota algo, em como gira a caneta entre os dedos enquanto lê.
Em como ele parece ainda mais irresistível assim, concentrado.
— Você dormiu bem? — pergunto, só para quebrar o silêncio.
Ele solta uma risada baixa, sem humor.

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