Meu coração b**e descompassado e o ar entre nós parece carregado, quase elétrico.
Limpo a garganta, tentando recuperar algum controle.
— Você trouxe a comida? — pergunto, desviando o olhar para a bandeja. — Pensei que a Elena fosse a responsável por me engordar.
Dante se inclina para trás, apoiando as costas na cabeceira.
— Você decidiu ignorar o básico e dormir em vez de comer alguma coisa. Então decidi não deixar isso nas mãos de mais ninguém.
— Então, o que exatamente você pretende fazer?
— Primeiro, você termina de se secar e se veste — responde, apontando a toalha com o queixo. — Ou a sopa vai acabar esfriando.
Como sempre, não é um pedido.
Assinto, porque discutir com ele usando apenas uma toalha parece uma desvantagem estratégica óbvia.
Caminho até a cadeira onde minha camisola de seda preta está dobrada, consciente demais do peso do olhar dele sobre mim.
— Pode sair, então. Vou me arrumar rapidinho e já como.
Dante nega com a cabeça devagar, e o canto da boca dele se curva em um meio sorriso.
— Prefiro ficar aqui e garantir que você realmente vai comer. Em vez de empurrar a bandeja para o lado assim que eu fechar a porta.
Suspiro, resignada. Discutir com ele é como bater a cabeça na parede: cansativo e inútil.
Pego a camisola, sentindo o olhar dele me acompanhar.
— Então, vire de costas.
Ele solta uma risada baixa e balança a cabeça.
— Não há nada aí que eu já não tenha visto, Amy.
Sinto o rosto esquentar com as lembranças que invadem minha mente sem permissão.
Mas, em vez de insistir, uma ideia travessa surge na minha cabeça.
Vamos ver até onde vai seu autocontrole, Sr. Ferretti.
Sem desviar os olhos dos dele, afrouxo os dedos na toalha e deixo o tecido escorregar. Ela cai no chão e o silêncio que toma o quarto é imediato.
O ar frio toca minha pele ainda úmida, mas é o olhar dele que realmente me queima.
Dante engole em seco. Visivelmente.
— Você tem ideia do que está fazendo, Amy? — pergunta, com a voz baixa e rouca.
Ele percorre os olhos pelos meus ombros, passando pelos seios, pela barriga, até chegar às coxas.
— Ou está testando até onde consigo me controlar antes de te jogar nessa cama e te foder?
Paro com a camisola suspensa no ar, sentindo a vitória se misturar ao desejo. Levanto o olhar para ele com o sorriso mais inocente que consigo esboçar.
— Estou só me vestindo, Dante — respondo, com a voz doce demais. — Foi você quem disse que não havia nada aqui que já não tivesse visto. Só segui sua lógica.
— Sua “lógica” vai te colocar em problemas muito em breve, tentazione.
Mordo o lábio e, sem pressa, passo os braços pelas alças da camisola, deixando o tecido deslizar pelo meu corpo.

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