Dylan para de andar, ainda com a mão na maçaneta.
O olhar dele passa de mim para Dante, de Dante para mim, e consigo ver exatamente o momento em que começa a tirar conclusões.
Meu cérebro processa antes do meu corpo, mas, pelo menos, meu corpo também colabora.
Me endireito rápido, como se estivesse me recuperando de um tropeço qualquer.
Depois, pego a pasta da mão dele e dou um passo para trás, sem olhar para nenhum dos dois.
— Obrigada por me segurar, Sr. Ferretti. Esses saltos novos ainda estão me pregando peças.
Dante não responde, apenas volta à expressão de sempre: fechada, controlada, impossível de ler. O maxilar, no entanto, está travado.
Ele vira o rosto lentamente para Dylan.
— Você não bateu?
— Bati — Dylan responde, limpando a garganta. — Achei que o senhor tivesse ouvido e…
— Da próxima vez, você espera uma resposta antes de entrar.
Dylan aperta a mandíbula, mas assente.
— Preciso da sua assinatura nos relatórios de fechamento.
Dante se aproxima e pega os documentos da mão do sobrinho. Depois, os folheia rapidamente antes de erguer os olhos para ele.
— Pode ir.
Dylan me olha uma última vez, como se quisesse dizer o que está preso na garganta, mas soubesse que não pode fazer isso aqui, na frente do próprio tio.
Por fim, se vira e sai.
A porta se fecha, e o silêncio se instala na sala. Pesado.
Dante volta para trás da mesa sem pressa, se senta e abre os documentos que Dylan trouxe. Como se os últimos minutos não tivessem acontecido.
— O que faço com isso? — pergunto, levantando a pasta que ele me entregou.
— Você precisa revisar isso ainda hoje.
— Vou fazer isso agora mes…
— Espero que você saia daqui apenas para deixar a pasta na sua mesa e ir almoçar — ele interrompe, sério demais. — Jake já está subindo com o seu almoço.
Olho para a pasta nas minhas mãos, depois para ele. E, pelo jeito como ele me olha, tenho certeza de que vai continuar insistindo se eu retrucar.
— Tudo bem — digo, por fim. — Estou indo almoçar.
Dante volta a ler os documentos enquanto viro as costas e saio rapidamente.
Deixo a pasta na minha mesa e pego o celular no mesmo momento em que Jake aparece com uma sacola térmica nas mãos.
— Srta. Donovan, seu almoço.
— Obrigada, Jake.
Pego a sacola e sorrio.
Ele hesita por exatamente um segundo, o tempo de calcular se isso contraria alguma instrução. Então assente.
— Bom almoço, Srta. Donovan. Até mais tarde.

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