Dylan mantém os olhos fixos na minha barriga por mais alguns segundos. Depois ri e balança a cabeça devagar, como se a própria pergunta fosse absurda.
— Ah, não. Esqueci que a virgenzinha intocável está se guardando para o casamento.
O encaro por um segundo, sentindo o gosto ruim ainda na boca, mas algo dentro de mim se recusa a deixar aquilo passar barato.
Sorrio de lado, devagar.
— Será mesmo?
O sorriso dele some instantaneamente e sei que atingi o ponto exato.
— O que quer dizer com isso?
Não respondo. Vou até a mesa, pego minhas coisas e passo direto por ele.
— Amy Donovan, estou falando com você!
Ouço a voz dele assim que passo pela porta, mas nem sequer olho para trás.
Caminho pelo corredor em passos rápidos, ainda sentindo o estômago embrulhado, mas me recusando a deixar isso transparecer.
Só quando entro no banheiro é que solto o ar devagar.
— Idiota — resmungo, indo até a pia.
Limpo a boca mais uma vez, jogo um pouco de água no rosto e encaro meu reflexo por um segundo.
— Você consegue — sussurro. — Só mais algumas horas.
Puxo o ar devagar e volto para a minha mesa sem encontrar Dylan pelo caminho dessa vez.
Me sento e tento focar nos documentos, mas as palavras começam a embaralhar na página poucos minutos depois.
Meu estômago, que parecia ter se acalmado, volta a se revirar lentamente.
Pisco várias vezes, tentando me concentrar no trabalho, mas a sala parece mais quente do que deveria.
— Amy?
Levanto os olhos e encontro Paige parada ao lado da minha mesa, com o cenho franzido.
— Você está bem?
— Sim.
— Tem certeza? — insiste, se abaixando um pouco para ficar na minha altura. — Porque você está branca como papel. E ouvi dizer que passou mal na copa ainda agora.
Claro que ouviu. Claro que todo mundo já sabe.
— Só estou um pouco enjoada — admito, baixinho. — Nervosismo do primeiro dia.
Paige me observa por um segundo, depois olha em volta, como se estivesse planejando alguma coisa.
— Quer que eu fale com a Natalie para você sair mais cedo?
— Não.
A resposta sai rápido demais.
A última coisa de que preciso é dar à Natalie um motivo para anotar meu nome em alguma lista mental.
— Logo passa. Não precisa se preocupar.
— Tem certeza?
— Tenho.
Ela não parece convencida, mas não insiste e volta para a própria mesa.
Tento focar nos documentos, mas meu corpo parece ter decidido se rebelar contra mim hoje, me obrigando a correr para o banheiro mais duas vezes.

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