Levanto os olhos para ele devagar, com a mesma energia que dedicaria a uma notificação irritante no celular.
Depois, volto a atenção para a tela e começo a abrir os documentos de integração que acabei de receber, ignorando completamente a presença dele.
Mas, é claro, ele não desiste tão fácil.
— Amy.
— Srta. Donovan — corrijo, sem levantar os olhos. — Estamos em um ambiente de trabalho.
— Então é isso? Você realmente está trabalhando aqui?
— Aparentemente, sim. E isso era algo que você também deveria estar fazendo.
— Você não tem qualificação para estar nesse setor.
— Tenho mais do que você imagina. O que não tenho é tempo para perder conversando com você.
— Isso vai ser interessante.
Ouço uma risada baixa, seguida pelo som dos passos dele se afastando pelo corredor.
Só quando ele desaparece completamente é que solto o ar que estava prendendo.
Volto a atenção para a tela. Os documentos continuam abertos, esperando.
— Foco — murmuro, passando a mão pelo rosto. — Você pediu isso. Agora faz funcionar.
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A manhã passa lentamente, mas, pelo menos, consigo entender quase metade do que aparece na minha fila de e-mails.
A outra metade quase me faz desejar ter avisado que minha experiência na empresa do meu pai se resumia a atender o telefone e servir café.
Várias vezes, olho involuntariamente para a parede de vidro do escritório de Dante. Na maioria delas, ele nem está lá, sempre preso em alguma reunião.
Mas, quando está, permanece de costas para mim, em pé diante da janela com o celular no ouvido ou concentrado na leitura de algum documento.
Em nenhum momento olha na minha direção, o que é exatamente o que deveria acontecer.
Então não existe motivo algum para isso me irritar.
— Está sobrevivendo bem — Paige diz, baixinho.
Viro o rosto e a encontro em pé ao lado da minha mesa, com a mesma caneca na mão.
— Por pouco — admito, suspirando. — Alguém achou necessário me mandar quarenta e dois e-mails de integração.
Ela faz uma careta exagerada.
— Quando entrei, recebi cinquenta e três. Bem-vinda ao time.
Rio baixo, finalmente me recostando na cadeira para me espreguiçar.
Paige inclina levemente a cabeça em direção à tela.
— O sistema de aprovações parece simples, mas tem uma lógica própria. Se quiser, posso te mostrar o atalho que ninguém documenta em lugar nenhum, mas que todo mundo usa.
— Por favor.
Ela puxa uma cadeira e passa quinze minutos me mostrando como o setor realmente funciona, não como os manuais dizem que funciona.
Quando fico sozinha novamente sinto, pela primeira vez no dia, como se pudesse realmente fazer parte disso.
Retomo os documentos com mais foco, e o tempo começa a passar de outro jeito.
No entanto, menos de uma hora depois, ouço passos no corredor e levanto o rosto por instinto.
Dante.
Ele caminha pelo corredor sem pressa, conversando com Natalie. Depois para na mesa de Paige, troca duas palavras com ela e segue para a própria sala.
Não olha para mim em momento algum. Já eu, não consigo desviar os olhos da porta por onde ele entrou.

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