A Whitmore & Co. é, definitivamente, o tipo de lugar que faz você querer conferir se a sola do sapato está limpa antes de dar o próximo passo.
Percebi isso no momento em que atravessei o saguão, tentando não vomitar enquanto me aproximava da recepção.
E ter passado pela recepção e pelo RH sem que isso acontecesse, honestamente, já é uma grande vitória.
Às 7h55, as portas do elevador se fecham, desta vez para me levar ao departamento administrativo.
Ajeito os cabelos no reflexo da parede espelhada, e meus olhos descem para o crachá provisório que me entregaram.
Amy Donovan.
Dante pensou em tudo. Como sempre.
— Você consegue — sussurro quando o elevador se aproxima do andar. — Não é a primeira vez que faz isso.
Quando as portas se abrem, o setor administrativo já está em movimento. Mesas organizadas, monitores ligados, conversas baixas…
Provavelmente ninguém me conhece, e isso é um alívio.
Quem diria que todas as reclamações sobre nunca ter conhecido o trabalho de Dylan um dia jogariam a meu favor?
Caminho pelo corredor principal, procurando alguém que pareça minimamente disponível para me dizer onde devo ficar, quando vejo um rosto conhecido.
De terno escuro, Dante está de costas para mim, a alguns metros de distância, prestes a entrar em uma das salas.
— Dante — chamo, apertando o passo.
Ele para antes de abrir a porta e se vira devagar. Quando os olhos dele encontram os meus, sua expressão muda por menos de um segundo.
— Sr. Ferretti — ele corrige, sem deixar margem para negociação. — Aqui, você é uma funcionária como qualquer outra, Srta. Donovan. Isso vale a partir de agora.
Engulo qualquer resposta que estivesse prestes a dar e assinto uma vez, em silêncio.
Dante desvia o olhar para o corredor atrás de mim.
Quando me viro, vejo uma mulher de trinta e poucos anos se aproximando. Cabelos escuros presos, blazer impecável e um sorriso que aparece antes de qualquer palavra.
Os olhos dela passam por mim por um segundo a mais antes de se voltarem para Dante.
— Sr. Ferretti, bom dia. Pronto para a reun…
Ela começa a falar, mas para quando ele levanta a mão.
— Srta. Turner, a Srta. Donovan vai precisar de uma estação de trabalho próxima à minha sala. Providencie isso.
O sorriso dela não desaparece, mas diminui visivelmente. Ela desvia os olhos para mim.
— Claro. Seja bem-vinda, Srta. Donovan — diz, rápida, voltando a atenção para Dante. — Vou providenciar isso depois da reun…
— Não. Agora. A integração dela tem prioridade esta manhã.
A mulher me observa discretamente de cima a baixo, e quase consigo enxergar as perguntas se formando em sua mente.
— Espero que consiga se adaptar, Srta. Donovan — Dante completa, já se afastando.
E, sem esperar resposta, ele entra na sala sem olhar para trás.
O silêncio dura exatamente dois segundos.
Só então ela gesticula para mim e começa a andar pelo corredor. Preciso acelerar um pouco o passo para acompanhá-la.
— Já que não fomos devidamente apresentadas, sou Natalie Turner, gerente administrativa do setor.
— Amy Donovan — me apresento, estendendo a mão enquanto andamos. — Assistente da diretoria.
Natalie finge não ver minha mão e continua seguindo pelo corredor.

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