Pego o papel e reconheço meu próprio currículo, com o sobrenome que ainda não me acostumei, mas que já sou obrigada a usar.
Amy Ferretti.
Minhas sobrancelhas se juntam ainda mais, e levanto os olhos para ele devagar.
— Onde você conseguiu isso?
— Isso não é o que importa agora.
— Claro que importa. Não me candidatei a uma vaga na sua empresa para você ter acesso ao meu currículo.
— Mas se candidatou a uma empresa do grupo. Achou mesmo que o sobrenome Ferretti passaria despercebido?
Dobro o currículo com cuidado, sem pressa, e o coloco sobre o sofá ao meu lado. Só então me levanto para encará-lo de perto.
— Talvez eu tenha subestimado o seu nível de controle. Não sabia que precisaria da sua permissão para procurar trabalho.
Ele dá um passo na minha direção, mas não recuo. O movimento claramente não é o que ele esperava.
— Você assinou um contrato que lhe dá estabilidade suficiente para não precisar disso.
— É fácil para você falar isso, Dante. Mas, para mim, que estou aqui há uma semana, dormindo, andando de um lado para o outro sem ter absolutamente nada para fazer… isso não parece estabilidade. Parece decoração.
Ele franze o cenho, mas não interrompe.
— Eu não assinei aquele contrato para virar um vaso na sua sala. Assinei porque precisava de uma saída, e você precisava de controle. Então, já que estamos sendo honestos… você conseguiu o seu. Mas eu estou longe de ter o meu.
— Você não precisa trabalhar só porque está entediada ou porque quer ter controle.
— E você não precisa trabalhar dezesseis horas por dia, mas continua fazendo isso.
— Não é a mesma coisa.
— Por quê? Porque você é homem? Porque tem trinta e seis anos e eu tenho vinte?
Me aproximo um pouco, erguendo uma sobrancelha.
— Ou porque, no fundo, você prefere que eu fique aqui, onde pode me monitorar sem precisar se esforçar?
O maxilar dele trava, e seus olhos ficam ainda mais intensos.
Ele dá mais um passo na minha direção e, dessa vez, o espaço entre nós fica pequeno demais para ser ignorado.
— Administração — ele diz, por fim.
— O quê?
— Você cursava administração antes de trancar a faculdade.
— Investigou meu currículo inteiro, então.
— Eu sabia com quem estava assinando um contrato antes mesmo de ele existir — responde, sem qualquer traço de arrependimento. — O currículo só confirmou algumas coisas.
— E?
Dante pega o currículo do sofá e o observa por um segundo. Depois, o coloca de volta no lugar e me encara.
— Você vai trabalhar na Whitmore — diz, em voz baixa. — Comigo.
Abro a boca, mas ele continua antes que eu consiga responder.
— Não é o que você escolheria. Eu sei. Mas é o que posso oferecer, e as condições são melhores do que as de qualquer vaga que encontraria sozinha, com a faculdade trancada e pouca experiência na empresa da sua família.
A lógica é irritante justamente porque faz sentido.
— Isso é para me manter por perto.

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