Ao ver o carro da polícia se afastar da mansão dos Família Anjos, Gil sentiu imediatamente uma forte dor de cabeça.
Silvana perguntou, com o rosto cheio de preocupação:
"Gil, será que ofendemos a Aurora?"
Noemi soltou um resmungo indiferente:
"E daí se a ofendemos? Quem devia ter medo de ofender os Família Anjos é ela!"
"Cale a boca!" Gil repreendeu friamente.
"Quem mandou você chamar a polícia? Vocês dois, nenhum me dá sossego!"
Ele olhou fixamente para Noemi, com frieza:
"Quando é que você vai ser metade do que a Aurora é? Se fosse assim, nossa família não precisaria depender da Susana para ampliar as alianças por meio de casamento!"
Noemi ficou com o rosto constrangido pela bronca, mordendo os lábios com força.
Mas, por dentro, ria friamente.
No final das contas, não era culpa deles próprios por serem os menos notados entre os Família Anjos, tendo que vender a filha para subir na vida, e ainda tinham coragem de jogar a culpa nela!
...
Delegacia Central.
Aurora terminou de prestar depoimento e sentou-se calmamente numa cadeira, à espera.
Do lado de fora, ouviu-se um leve burburinho: a pessoa que viera pagar sua fiança havia chegado.
O pessoal da delegacia, a princípio, não queria incomodar o pessoal do Corpo de Bombeiros Matriz, pretendendo apenas seguir os trâmites normais.
Mal sabiam eles que quem vinha era alguém ainda mais importante do que qualquer "grande nome".
Davi Martins entrou na delegacia vestindo roupas casuais, passos largos.
Desde o momento em que entrou, todos os olhares se voltaram como ímã para ele, carregados de surpresa e respeito.
Era o chefe do Corpo de Bombeiros Matriz, uma figura lendária que colaborara inúmeras vezes com a polícia em missões de destaque.
O jovem policial que ainda explicava "as regras" para Aurora nem ergueu a cabeça ao dizer:
"Srta. Franco, entendemos sua preocupação com sua amiga, mas não deve mais desperdiçar recursos públicos assim. Em casos assim, pode ligar diretamente para a polícia..."
Ao levantar o olhar e reconhecer quem entrava, a frase ficou presa na garganta.
Assustado, levantou-se de imediato, quase gaguejando:
"Sr... Sr. Martins!?"
Davi, porém, não lhe dirigiu nem um olhar.
Seu olhar foi direto para Aurora. Ele se aproximou e a ajudou a levantar-se da cadeira.
"Está tudo bem?"
Aurora se levantou com a ajuda dele e balançou a cabeça:
"Estou, sim."
No instante seguinte, um casaco pesado, ainda aquecido pelo calor de um homem, pousou sobre seus ombros.
Davi, vestindo apenas uma malha fina, não parecia se importar. Passou o braço em torno dos ombros dela, envolvendo-a pela metade enquanto caminhavam rápido em direção ao Bentley estacionado na rua.
Assim que entrou no carro, Aurora imediatamente pegou o celular e ligou para Mário.
"Como está a Susana?"
Do outro lado, Mário respondeu com voz grave:
"Ainda está na sala de emergência. O médico disse... que a situação não é nada boa."
O coração de Aurora disparou.
Ela desligou o telefone e disse logo a Davi:
"Vamos para o hospital."
Davi, em silêncio, ligou o carro e avançou suavemente para o fluxo do trânsito.
Com uma mão no volante, ele esticou a outra e segurou a mão de Aurora com firmeza.
Aurora baixou os olhos para as mãos entrelaçadas, sem afastá-las, deixando-o fazer o que quisesse.
Perguntou, intrigada:
"Por que você não foi com o Mário e o pessoal para a missão hoje?"
Ela se lembrava bem de que ele e Mário costumavam sempre atuar juntos.

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