"Eu tenho outra missão," Davi murmurou com voz grave.
Aurora apenas respondeu com um "ah", sem insistir no assunto.
No entanto, o carro não seguiu para o hospital, mas parou em frente a um restaurante de comida caseira.
Davi desligou o motor e disse: "Vamos comer antes de irmos."
Sem esperar por uma resposta dela, ele saiu do carro, contornou até o lado do passageiro e abriu a porta para ela.
Ele nunca esquecia que ela tinha problemas no estômago, não podia passar fome.
Desde que desceram do carro até entrarem na sala reservada, ele não soltou sua mão nem por um instante.
Até mesmo durante a refeição, ele sentou-se tão próximo dela que Aurora conseguia sentir claramente o calor que emanava de seu corpo.
Aurora sentia que ele estava cada vez mais grudado nela.
Embora a mágoa em seu coração já tivesse diminuído bastante, aquela sensação incômoda ainda permanecia.
Mas, ao lembrar das palavras de Susana — "Meu primo nunca teve carinho nem do pai nem da mãe, sempre foi um pobrezinho, cuide bem dele no futuro" —
No fim, Aurora pegou um pedaço de carne assada macia e brilhante no molho, e colocou no prato dele.
"Coma mais um pouco."
O olhar de Davi imediatamente brilhou com surpresa e alegria.
Aquele brilho parecia iluminar ainda mais todo o restaurante.
Como se tivesse recebido o maior presente do mundo, ele puxou a cadeira para mais perto dela.
Era uma mesa larga para dois, mas ele a apertou tanto que parecia uma cela para um só.
Davi devorou aquele pedaço de carne de uma só vez, soltando um suspiro satisfeito.
"Quando é minha esposa que serve, fica ainda mais gostoso."
Virando o rosto, seus olhos profundos ficaram presos nela, e sua voz, rouca e ligeiramente manhosa, soou:
"Quero comer mais, o que eu faço?"
Aurora ficou sem palavras.
Esse homem estava mesmo ficando cada vez mais abusado.
Ela suspirou resignada, mas, aceitando o destino, pegou mais alguns pedaços de carne, enchendo o prato dele.
Davi era um verdadeiro carnívoro; sempre que pediam comida, nunca faltava pratos de carne forte sobre a mesa.
"Eu não conheço bem a Família Anjos. Os pais da Susana, menos ainda."
O distanciamento no tom dele parecia verdadeiro, então Aurora não perguntou mais nada.
Sentou-se em um dos bancos do corredor, e Davi logo se sentou ao seu lado, sem soltar sua mão nem por um segundo, transmitindo-lhe calor constante.
Meia hora depois, finalmente a luz da sala de emergência se apagou.
Susana foi empurrada para fora ainda inconsciente, deitada de bruços na maca por causa dos ferimentos nas costas, com o rosto tão pálido quanto uma folha de papel.
Só depois que ela foi levada para a UTI é que a Família Anjos mandou, tardiamente, uma empregada para saber o que estava acontecendo.
Como já era tarde, Mário disse a Davi: "Davi, leve sua esposa para casa. Eu fico aqui."
Aurora assentiu e recomendou: "Me ligue a qualquer hora se acontecer qualquer coisa."
Ela nunca confiara na Família Anjos, especialmente naquela Noemi, sempre pronta para causar confusão.
Antes de partir, chamou seus dois seguranças para ficarem de guarda na porta do quarto.
"Fiquem atentos. Fora Mário e os médicos e enfermeiros, ninguém pode entrar aqui, especialmente pessoas da Família Anjos."
Só então ela partiu com Davi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Como uma Fênix, Renasce das Cinzas