Capítulo 223 — Oi minha princesinha
Sara Olsen
Quatro dias. Esse foi o tempo exato que levou entre o anel de noivado deslizar pelo meu dedo na sacada da cobertura e eu me ver parada diante do espelho de corpo inteiro em uma das suítes de hóspedes da Mansão Foley.
A família do Henry não aceitou qualquer adiamento. Dona Eleonor e vovó Martha decretaram que, já que o clã estava reunido na Califórnia, o casamento civil com bênção íntima aconteceria naquela mesma quinta-feira à tarde, antes que as passagens de volta para Houston vencessem.
E quando Victoria Foley e Evelyn Sterling se uniram à minha sogra na missão de organizar tudo em noventa e seis horas, não houve força neste mundo capaz de detê-las.
Ajustei as alças do vestido de noiva enquanto puxava o ar devagar.
Era uma peça sob medida em seda pura marfim, com decote coração suave, mangas caídas de renda francesa delicada e uma saia fluida que caía macia sobre os meus quadris, disfarçando com elegância a leve curva do meu ventre de quase três meses.
Meus cabelos estavam semi presos em ondas soltas, enfeitados com pequenos ramos de flores naturais de laranjeira.
Duas batidas suaves soaram na porta.
— Pode entrar — murmurei, virando-me de frente.
A maçaneta dourada girou e Victoria passou para o lado de dentro. Ela usava um vestido longo em tom lavanda que acomodava com perfeição a sua barriguinha já bem visível e redondinha. Os olhos castanhos da minha melhor amiga brilhavam em puro encanto.
— Sara… Minha nossa, amiga. Você está a coisa mais deslumbrante que eu já vi na minha vida inteira.
Senti as lágrimas arderem de imediato nas bordas dos meus cílios.
— Não me faz chorar antes de descer, Vic, por favor! O maquiador acabou de sair daqui!
Victoria riu, caminhando devagar até mim com passos cuidadosos. Ela segurou as minhas duas mãos entre as suas, apertando os meus dedos com aquele calor que me acompanhava desde os dias mais difíceis da minha vida.
— Eu me lembro como se fosse ontem de você dividindo um lanche natural antes de encararmos mais uma noite no bar, contando os trocados para pagar o aluguel e engolindo o choro por medo de a qualquer momento receber a notícia de que o Samuel tivesse sido levado ou pelas drogas ou pelos traficantes. — senti meus olhos arderem pelas lágrimas. — Olhar para você hoje amiga, vestida de noiva, esperando um filho do homem que você ama e rodeada por uma família que te idolatra… É a prova mais linda de que a vida sabe recompensar quem tem um coração puro como o seu.

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