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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 221

Capítulo 221 — Intimação Texana

Henry Reeves

O silêncio que caiu sobre a minha cozinha foi tão pesado que dava para ouvir o zumbido suave do motor da geladeira.

Minha mãe continuava me fuzilando com aquele olhar que ela usava quando eu quebrava uma vidraça na fazenda e tentava culpar o vento. As mãos dela não largavam os dedos finos da Sara por nada neste mundo, como se quisesse proteger a minha mulher de mim mesmo.

Passei a mão pela nuca, sentindo o calor subir pelas minhas orelhas até queimar.

— Mãe, não é bem assim… Nós estamos juntos há pouco tempo. As coisas aconteceram rápido demais, teve todo o problema do irmão da Sara no hospital, a rotina insana da holding, e essa semana as coisas não saíram como esperávamos em relação ao Walton…

— Pouco tempo uma ova, Henry! — vovó Beatrice se adiantou com agilidade assustadora para uma senhora de quase oitenta anos. Ela pegou uma espátula de silicone que estava no suporte da bancada e apontou na minha direção como se fosse uma arma de fogo. — Você engravidou a moça, trouxe a coitada para debaixo do seu teto, mas até agora não teve a decência de colocar uma aliança decente nesse dedo? Que pouca-vergonha é essa?

Sara engasgou com o ar ao meu lado. Ela levou a mão livre à boca, tossindo de leve, com as bochechas tão vermelhas que pareciam duas cerejas maduras. Dei dois tapinhas desajeitados nas costas dela, sem saber se a socorria ou se me escondia atrás da ilha de mármore.

— Beatrice tem toda razão — meu pai interveio.

Ele deu dois passos pesados para a frente, apoiando as duas mãos calejadas na cintura. Ele me encarou com aquela sobrancelha loira arqueada e a voz grave de quem comandava peões e tratores sem precisar gritar.

— Homem da família Reeves não faz as coisas pela metade, garoto. Se você foi homem suficiente para colocar uma criança na barriga dessa moça, tem que ser homem suficiente para colocar o seu sobrenome nela perante a lei e perante Deus. Ou por acaso você acha que a gente cruzou o país de avião só para passear no bondinho da Califórnia?

— Rick falou e tá falado! — dona Eleonor bateu com a mão aberta na bancada, fazendo os copos de cristal tilintarem. — No Texas as coisas não funcionam desse jeito frouxo não, senhor Henry. Nós não vamos admitir que o nosso primeiro bisneto nasça sem que os pais estejam devidamente casados e com a bênção da família inteira!

Olhei para a Sara em busca de socorro, mas a traíra estava mordendo o lábio com força para não cair na gargalhada diante da minha humilhação pública.

— Mãe, pai, pelo amor de Deus! — levantei as mãos, tentando conter a tropa de choque do condado de Harris. — É claro que nós vamos casar! Eu amo a Sara mais do que a minha própria vida. Eu só queria fazer as coisas do jeito certo, planejar um pedido bonito, reservar um restaurante elegante, comprar o anel perfeito… Eu não queria fazer nada na correria!

— Pois então trate de correr! — vovó Martha decretou com um sorriso zombeteiro no rosto enrugado, cruzando os braços miúdos sobre o peito. — Porque essa barriga vai começar a apontar daqui a poucas semanas, garoto! E eu me recuso terminantemente a ver a minha noivinha entrando na igreja parecendo que engoliu uma melancia inteira debaixo do vestido branco! Noiva bonita tem que entrar com a cintura no lugar!

— E tem mais — vovô Wyatt tirou o palito de dente do canto da boca, apontando para mim com o dedo engenhado pelo trabalho na terra. — Se depender de você, esse casamento sai quando o menino já estiver na faculdade. Você sempre foi lerdo para essas coisas, Henry. Lembra quando levou três anos para pedir aquela francesinha do colégio em namoro? O pai dela quase te tocou da varanda com uma espingarda de sal!

— Wyatt! — dona Eleonor repreendeu o pai, mas já estava rindo junto.

— É a verdade, mulher! O menino enrola demais! — o velho rebateu, piscando para a Sara.

Meu pai deu um passo mais perto de mim, encostando a mão pesada no meu ombro e apertando com firmeza.

— Você tem exatamente até amanhã à noite para resolver isso, rapaz. Ou você pede a mão dessa mulher com tudo o que manda o figurino, ou eu mesmo amarro vocês dois na caçamba da caminhonete e levo direto para o cartório na segunda-feira bem cedo. E não me venha com desculpas.

A cozinha inteira virou um alvoroço só. Os quatro velhos começaram a falar ao mesmo tempo, discutindo sobre qual corte de carne seria servido, se o padre aceitaria vir até a cidade ou se teriam que achar uma capela, enquanto dona Eleonor puxava a Sara pelo braço para o sofá da sala, abrindo pastas de fotos no celular para mostrar modelos de decoração rústica.

Fiquei parado no mesmo lugar, encostado na pia, passando a mão pelo rosto e soltando uma risada incrédula.

Olhei para a sala. Sara estava sentada entre a minha mãe e a vovó Beatrice. O nervosismo que a consumia no aeroporto tinha desaparecido completamente. Os olhos dela brilhavam, o sorriso não cabia no rosto e ela gesticulava com as duas senhoras como se as conhecesse desde a infância.

Ela tinha uma família de verdade ao redor dela agora. Uma família barulhenta, invasiva e completamente apaixonada por ela.

Papai parou ao meu lado na bancada, pegando duas garrafas de cerveja da geladeira. Ele abriu as duas tampas com facilidade, me estendeu uma e bateu o bocal de vidro na minha.

— Ela é ouro puro, filho. Cuida bem dessa menina.

— Eu vou cuidar, pai. Pode ter certeza absoluta disso — respondi com sinceridade, dando um gole longo no líquido gelado.

Capítulo 221 — Intimação Texana 1

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