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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 220

Capítulo 220 — A Invasão de Houston

Henry Reeves

Minha mão direita suava frio ao redor dos dedos pequenos e quentes da Sara.

Olhei de soslaio para a mulher ao meu lado. Ela usava um vestido mídi floral, rodado, com uma jaqueta jeans clara por cima e os cabelos presos em um meio rabo. Ela estava linda, radiante, com aquele brilho sutil na pele que só a gravidez explicava.

O único problema era que Sara parecia uma corda de violino prestes a arrebentar de tanta tensão.

— Amor, se você apertar mais a minha mão, vai cortar a minha circulação — brinquei baixo, tentando aliviar o pânico evidente nos olhos castanhos dela.

Sara deu um pulinho de susto, me encarando com as bochechas coradas.

— Desculpa! — ela afrouxou o aperto, respirando fundo e ajeitando a barra do vestido pela décima vez nos últimos cinco minutos. — Eu estou nervosa, Henry. Muito nervosa. E se a sua mãe não gostar de mim? E se os seus avós acharem que eu sou muito simples? Eles são do Texas, têm fazendas, tradições… Eu mal sei distinguir um chapéu de vaqueiro de um chapéu de praia!

Soltei uma risada rouca, puxando-a pela cintura para colar o corpo dela ao meu. Abaixei a cabeça e deixei um beijo demorado na ponta do nariz arrebitado dela.

— Sarinha, presta atenção em mim. A minha família não é da realeza britânica, eles são do interior do Texas. Meu pai passa o dia de bota enfiada na lama e a minha avó materna ainda briga com os vizinhos se eles usarem a cerca errada. A única coisa com que você precisa se preocupar é em não aceitar a terceira porção de torta de nozes que a minha mãe vai tentar empurrar na sua goela, porque lá em Houston recusar comida é quase um crime federal. Eles já te amam antes mesmo de te verem.

— Você fala isso para me acalmar…

— Eu falo isso porque eu conheço o bando que me criou — rebati, olhando para o portão de desembarque.

E foi exatamente nesse instante que o mar de passageiros de terno e mochilões se abriu como as águas do Mar Vermelho.

Não precisava ser nenhum gênio da dedução para identificá-los a cinquenta metros de distância.

Vindo na dianteira com passadas largas e firmes estava o meu pai, Maverick Reeves. Ele usava jeans escuro impecável, fivela de prata trabalhada no cinto, botas de couro de avestruz e aquele clássico chapéu Stetson claro que ele se recusava a tirar até para entrar em bancos.

Ao lado dele, de braço dado e gesticulando animadamente, vinha a minha mãe, Eleonor, com seus cabelos loiros volumosos, óculos de sol pendurados no decote da blusa de linho e um sorriso que ocupava metade do rosto.

Logo atrás, completando a comitiva do caos, vinha a artilharia pesada: vovô Wyatt e vovó Beatrice (pais da minha mãe), e vovô Clayton e vovó Martha (pais do meu pai).

Quatro idosos de mais de setenta e cinco anos que caminhavam com a energia de quem tinha acabado de tomar um balde de café com uísque, puxando malas de couro marrom e olhando para a arquitetura moderna do aeroporto como se estivessem inspecionando uma feira agropecuária.

Engoli em seco. A invasão havia começado.

— Henry Maverick Reeves! — a voz da minha mãe cortou o saguão antes mesmo que ela chegasse perto.

Sara estancou ao meu lado, arregalando os olhos.

— É agora — murmurei para ela. — Que Deus tenha piedade da nossa alma.

Minha mãe praticamente correu os últimos metros, ignorando solenemente os carrinhos de bagagem. Ela abriu os braços, mas em vez de me abraçar primeiro, ela passou direto por mim, como se eu fosse um poste de iluminação pública, e avançou com tudo para cima da Sara.

— Mas olha que coisa mais preciosa deste mundo! — dona Eleonor exclamou, envolvendo a Sara em um abraço de urso tão apertado que achei que fosse quebrar a espinha da minha mulher. Ela soltou a Sara, segurou o rosto dela entre as duas mãos cheias de anéis de turquesa e a analisou de cima a baixo com olhos marejados. — Maverick, olha isso aqui! Ela é mil vezes mais bonita do que nas fotos que esse cabeça-dura mandou! Menina, como você aguenta esse homem? Ele tem o gênio azedo do avô Clayton!

Sara piscou atordoada, mas o sorriso tímido se abriu, iluminando o rosto dela por inteiro.

— É… é um prazer enorme conhecer a senhora, dona Eleanor…

— Dona nada, me chama de mãe ou de Ellie! Nada de dona! — minha mãe a cortou com aquele calor avassalador, puxando-a para outro aperto.

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